RIO DE JANEIRO, 21 de setembro de 2026 - Uma foto resume a degradação moral e política do Rio de Janeiro. Esses dias, ela foi utilizada nas redes sociais por alguns candidatos muito conhecidos do eleitorado carioca. A situação piora quando cruzamos os nomes com as pesquisas eleitorais. Guardem estes números: enquanto Eduardo Paes (PSD) pontua acima de 40% para a eleição ao governo do Estado, Benedita da Silva (PT) registra 14%, liderando a corrida para o Senado Federal. Na foto, ainda há a presença de Pedro Paulo (PSD), candidato também ao Senado Federal, e de Lindberg Farias (PT), candidato a deputado federal, que aparece como o nome mais citado para a Câmara na pesquisa Vetor Arrow, divulgada em 4 de setembro.
A imagem deixa clara a manutenção de uma aliança política formada há aproximadamente 20 anos, quando Sérgio Cabral, então governador (2007–2014), e Eduardo Paes, então prefeito (2009–2016, primeiro e segundo mandatos), iniciaram uma estrutura de superfaturamento de obras e de gastos públicos nunca vista na história do Estado. Os recursos eram abundantes, pois teríamos a Copa do Mundo no Brasil em 2014 e as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. O então presidente Lula — que depois indicou sua sucessora, Dilma Rousseff — alinhou uma parceria de um centrão corrupto com uma esquerda radical, ambos dispostos a tudo para tomar o poder.
Dito isso sobre essa aliança podre, quero demonstrar a vocês, leitores da Timeline, um dos principais motivos da força eleitoral de Eduardo Paes no Rio de Janeiro.
A engrenagem da influência e os contratos milionários
Eduardo Paes tem uma carta na manga e sabe usá-la muito bem: essa carta se chama Rede Globo. Para entender essa força, precisamos contabilizar o volume de dinheiro que Paes destinou à emissora enquanto prefeito do Rio de Janeiro. Em 2019, conheci um rapaz que trabalhava dentro do setor de comunicação da prefeitura; ele explicou que o prefeito Eduardo Paes destinava 91% da verba de comunicação do município para a rede de televisão. Os dados são oficiais e, em 2016, já haviam mapeado mais de R$ 150 milhões da gestão Paes repassados à emissora.
Mas isso é apenas a ponta de um iceberg muito maior. O próprio Carnaval do Rio de Janeiro, que tem investimento de mais de R$ 100 milhões por ano, tem como grande beneficiária a Rede Globo, que transmite oficial e exclusivamente o “maior espetáculo da terra” sem repassar nada para o município e vendendo centenas de milhões em anúncios, com apenas uma única contraprestação: colocar o prefeito Eduardo Paes como grande patrono do evento.
Os negócios de Paes e dos controladores da emissora não param por aí. A Viva Rio, uma ONG “sem fins lucrativos”, administra grande parte do setor de saúde pública do Rio de Janeiro; esse instituto já recebeu mais de R$ 3 bilhões do município e foi fundado por João Roberto Marinho, tendo José Roberto Marinho como um dos membros do conselho. Lembro a vocês que é até difícil mapear todo esse relacionamento do grupo de Eduardo Paes com o grupo Globo, mas o importante é saber que ele é o candidato oficial da emissora e também aliado do Partido dos Trabalhadores.
Deixe-me apresentar mais casos desse relacionamento. Em 2009, a prefeitura do Rio contratou a Fundação Roberto Marinho, alegando “notório saber”, para a adequação do Museu de Arte do Rio (MAR), por valores que hoje chegariam a R$ 48 milhões. A mesma fundação teve também participação na implantação do Museu do Amanhã, com valores que hoje chegariam a R$ 51 milhões. Juntando com outros contratos, a fundação da família Marinho já faturou algo em torno de R$ 300 milhões, em valores atualizados, na gestão de Eduardo Paes. Como fica claro, existe um interesse enorme para que esse grupo se mantenha no poder. Agora vocês entendem por que a maior emissora do Brasil faz de tudo para que Paes seja considerado um ótimo gestor, mesmo que isso não tenha nenhuma relação com a realidade?
A contradição eleitoral e a alternativa para o Estado
Agora vamos a outro fato: como uma população majoritariamente cristã — segundo dados do Censo divulgados recentemente, 38,9% dos cariocas são católicos e 32% evangélicos, somando 70,9% de cristãos — pode votar em um candidato ligado à esquerda e em uma candidata ao Senado que se declara abiertamente de esquerda? Quanta informação está sendo manipulada pela maior emissora do Brasil para enganar o povo de tal maneira?
Antes de terminar o texto, deixo claro que seria necessário um livro para contar todos os danos que esse grupo político causou ao Rio de Janeiro. Porém, que fique bem claro que o grupo ligado ao presidenciável Flávio Bolsonaro apresenta como opção o policial civil e deputado estadual Douglas Ruas para disputar a eleição contra esse sistema. Essa mesma chapa tem como vice a vereadora Fernanda Louback, da cidade de Niterói. Esses nomes são, até o momento, a única opção capaz de livrar o Estado do Rio de Janeiro do mergulho no caos.
Alexandre Zibenberg é empresário e advogado, apaixonado por política e pelo Rio de Janeiro, atualmente exilado nos Estados Unidos por perseguição do ditador Alexandre de Moraes.




Na verdade essa vantagem do PT e aliados aqui no Rio se deve em parte ao fato de a esquerda ter uma candidatura única ao Senado ( a dobradinha maldita Benedita/Lindinho) , ao passo que a direita insiste em dividir as possibilidades de conquista. O Douglas Ruas cresceu bastante nas últimas semanas, mas ainda carece de mais apoio, principalmente da população séria, aquela não comprometida com o crime. Vai ser difícil, uma vez que Dudu tem as favelas, os presídios e os bicheiros com ele, além, é claro da re Globo. Mas esperança é a última que morre. Precisamos nos empenhar mais para livrar o Rio dessa corja.
Percebo uma tímida, quase nula, participação de Douglas RUAS no Instagram. De onde parte esse desleixo, não sei. E como um candidato que se comunica tão bem como Carlos Jordy não aparece em cortes, outro ponto que questiono. Outro dia, li uma internauta perguntando num post, qual deputado federal para votar no Rio. Quando Flávio percorreu cidades litorâneas do RJ, pouco vi, nas postagens, esses candidatos falando. Pode ser culpa da Globo mas, ela também não deu mole para Flávio e, agora, está tendo que engolir.