RIO DE JANEIRO, 30 de agosto de 2026 — Na noite de sexta-feira, milhões de brasileiros ligaram a televisão depois do primeiro dia de horário eleitoral esperando ouvir um candidato a presidente falar do Brasil.
Ligaram às 21h30, do sofá, com o dia nas costas e o boleto na cabeça. Queriam saber o que vem por aí. Segurança, comida no prato, emprego, redução de juros, escola dos filhos.
O que apareceu na tela foi outra coisa.
Nos Estúdios Globo, Renata Vasconcellos e César Tralli receberam Flávio Bolsonaro para 40 minutos ao vivo. Só que a primeira pergunta não abriu uma entrevista. Abriu um processo.
Doze dos 40 minutos ficaram em um assunto só: o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Quase um terço de tudo. Foi pergunta, réplica, insistência, retorno ao mesmo ponto, e de novo.
Flávio respondeu que não houve um centavo de dinheiro público, que a relação é privada e que a prestação de contas foi entregue. Podia ser suficiente, podia não ser. Mas seguiu-se a ela um roteiro que qualquer telespectador reconheceu, porque já viu esse filme.
Veio o 8 de Janeiro. Vieram as urnas eletrônicas. Veio o tarifaço. Veio a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. E o candidato ali, respondendo tudo, sem fugir de bancada.
Foi então que a bancada fez a viagem mais reveladora da noite. Voltou a 2005.
Vinte e um anos. A Medalha Tiradentes concedida a Adriano da Nóbrega. Flávio explicou que, à época, o homenageado era tratado como policial exemplar, e reconheceu que empregou a mãe e a esposa dele no gabinete. Do lado das rachadinhas, o que existe hoje é um processo cujas provas foram anuladas pelo STJ e pelo STF e cuja denúncia foi rejeitada pelo TJ-RJ em maio de 2022, a pedido do próprio Ministério Público.
Repare no tamanho do salto. Para encontrar munição contra um candidato à Presidência em 2026, foi preciso desembarcar em 2005.
E ainda sobrou espaço para o aquecimento global.
Agora me diga uma coisa. Quantos minutos daqueles 40 sobraram para a mãe que faz conta no supermercado? Até falaram sobre segurança pública. Entrou no fim, espremido, como se fosse um assunto sem interesse do Brasileiro de bem. Este mesmo que já não aguenta mais tanta criminalidade e corrupção.
A parte curiosa é o que aconteceu com o alvo.
Quanto mais apertavam, mais Flávio ficava firme. Rápido, preparado, com domínio das respostas, sem se intimidar, rebatendo os entrevistadores sem perder o controle. Não gritou, não travou, não pediu para mudar de assunto.
Quem esperava ver um candidato pequeno diante da bancada mais poderosa da televisão brasileira viu um candidato que engoliu seus inquisidores.
E é aí que a conta vira. Uma entrevista dura, feita para testar, engrandece quem pergunta. Uma entrevista que parece um tribunal engrandece quem responde. O brasileiro tem um instinto muito bom para farejar cerco, e o instinto dele não falha na frente da televisão.
Eu não estou dizendo que Vorcaro não deva ser explicado. Deve. Estou dizendo que uma eleição não se resume ao passado de um homem. Ela é sobre o futuro de 200 milhões.
Alguém precisava perguntar como ele pretende governar. Como derruba o custo de vida. Como enfrenta a facção que tomou o bairro. Como devolve confiança a quem parou de acreditar em tudo.
Ninguém perguntou.
Tentaram produzir um interrogatório e acabaram entregando dois presentes ao candidato: quarenta minutos de holofote em rede nacional e a imagem, para milhões de pessoas ao mesmo tempo, de alguém que aguentou o cerco tranquilo, sereno e de pé.
Na segunda-feira, quando a poeira baixar, o que vai ter ficado na cabeça do eleitor não é nenhuma resposta. É a cena.
E a cena não foi a que eles ensaiaram.
Rogerio Pires é professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Bom dia! Digo e repito: toda desgraça do nosso país tem os dedos, as mãos, o braço e parte do corpo da imprensa. Uma imroesa SUJA, CORRUPTA, DESONESTA, formada por jornalistas, artistas, diretores, COVARDES, OMISSOS e EXTREMAMENTE EGOÍSTAS. Se, e, espero que esse SE seja real, um dia virarmos uma VENEZUELA, saibam, a imprensa é uma das grandes responsáveis. Portanto, não tenham compaixão de Jornalistas e artistas, afinal, eles não estão nem aí para sua família.
Vê bem! Se na "bancada" está referida a rede Globo, sim!, é a maior. Porém, se "bancada" está referindo ao dois entrevistadores, há divergência. Quanto ao Tralli, historicamente é um bom jornalista, elegante, comedido e profundo; mas Renata Vasconcelos, não!, pois sempre cumpriu um papel periférico, de bichinho assustado, de limpadora dos cantos e das migalhas da mesa, mas excelente cumpridora das ordens emanadas daqueles que lhe pagam o salário.