CAROLINA DO SUL, 17 de outubro de 2026 — Às 21h47 de 17 de novembro de 2025, Luciano Huck mandou uma mensagem para Daniel Vorcaro. Tinha acabado de ver no Jornal Nacional a notícia da venda do Banco Master e quis dar os parabéns ao amigo. Escreveu que ele merecia sair inteiro daquela turbulência. Pouco depois, a Polícia Federal prendeu Vorcaro em Guarulhos, a caminho de um jato particular.
A venda não existia. A turbulência, sim. E o celular apreendido naquela noite passou a contar, onze meses depois, uma história que diz respeito a você muito mais do que parece. Ela responde a uma pergunta incômoda: quanto custa decidir o que um país lê, assiste e compartilha?
A conta
Somei apenas o que já está documentado em relatórios do Coaf, em dados da Receita enviados à CPI do Crime Organizado, nas mensagens extraídas pela PF e no que os próprios beneficiários admitiram. Dá cerca de R$ 188 milhões destinados a veículos, apresentadores, jornalistas e operadores de imagem entre 2022 e 2025.
Mais da metade foi para o Grupo Globo. O próprio Huck, numa mensagem de outubro de 2025, contabilizou R$ 83 milhões em mídia do Will Bank na emissora e outros R$ 26 milhões em seu “contrato pessoal”.
Anúncio não é crime. Todo veículo vive de publicidade, inclusive a revista onde escrevo. O problema começa quando o anunciante passa a ler a matéria antes de você.
O texto que chegou revisado
No Metrópoles, foi exatamente isso. O Coaf registrou R$ 27,2 milhões do Master para o portal e classificou os aportes como “inusitados”. Quando a diretora de marketing do banco Ana Lúcia Matos achou caro o contrato de R$ 20 milhões, Vorcaro respondeu que aquele era “a coisa mais importante” da vida deles.
As mensagens mostram ao menos 14 reportagens enviadas pela CEO do Metrópoles Lilian Tahan ao banqueiro antes da publicação. Onze foram alteradas a pedido dele. Saiu uma empresa de um texto, saiu a palavra falência de outro. Um terceiro, sobre a Oncoclínicas, nem chegou a ser publicado depois que a CEO perguntou se o assunto lhe trazia “algum incômodo”. Quando Vorcaro pediu para “dar uma freada” na cobertura de Ricardo Cappelli, crítico da venda ao BRB, a resposta foi “Deixa comigo”.
A direção do portal diz que checar o contexto com fontes é prática comum. Pode ser. Mas pense no leitor que abriu o site em abril de 2025 para entender se o CDB que comprou no Master estava seguro. Ele leu um texto que o dono do banco já tinha revisado. Sem aviso. Sem asterisco.




