RIO DE JANEIRO, 12 de outubro de 2026 —confesso que foi extremamente difícil para mim escrever estas palavras. Existem notícias que provocam tristeza. Outras despertam revolta. Mas algumas causam uma repugnância tão profunda que faltam palavras para expressá-la.
Foi o que senti ao conhecer a resposta inicial de Jones Manoel, recém eleito deputado federal pelo PSOL, quando confrontado com denúncias de violência sexual cometida durante os ataques do Hamas contra Israel.
Não consigo compreender por que uma pergunta sobre estupro precisa ser respondida com um discurso político. Estupro é crime e uma das formas mais brutais de destruir a dignidade humana. Nenhuma revolução, resistência, religião, ideologia ou causa política pode justificá-lo.
O testemunho de Ilana Gritzewsky mostra por que esse tema não pode ser tratado como detalhe de uma disputa ideológica.
Sete homens armados e uma mulher indefesa
Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas atacaram comunidades israelenses. Ilana foi sequestrada no kibutz Nir Oz e levada para a Faixa de Gaza, onde permaneceu 55 dias em cativeiro.
Ela relatou ter sido agredida, ameaçada com armas e submetida a violência sexual. Em determinado momento, perdeu a consciência. Ao despertar, estava parcialmente despida e cercada por sete homens armados.
Tentou impedir uma nova agressão dizendo que estava menstruada. Era uma mulher sequestrada, cercada por homens armados, tentando proteger o próprio corpo enquanto sua vida estava nas mãos dos agressores. Não era um debate político, mas uma luta pela sobrevivência.
A ameaça de uma gravidez imposta
Ilana também contou que um sequestrador dizia que se casaria com ela e teria filhos com ela. A ameaça de uma gravidez forçada ampliava o controle sobre seu corpo e seu futuro.
Ela descreveu ainda agressões físicas, fraturas, privação de alimentos e sofrimento psicológico. Sobreviveu ao cativeiro, mas sair dele não significa sair ilesa. Seu corpo ficou marcado pelos ferimentos, e sua memória, por uma experiência que nenhum ser humano deveria enfrentar.
Depois, precisou tornar sua história pública para combater a negação e a minimização da violência sexual.
A pergunta que Jones Manoel recebeu
Durante o podcast Fala Ordinário, em julho de 2026, o vereador Eduardo Moura apresentou o testemunho de Ilana e questionou Jones Manoel sobre os crimes sexuais atribuídos ao Hamas.
A pergunta exigia uma resposta simples: condenar o estupro, repudiar a violência sexual e reconhecer a dignidade das vítimas.
Jones, porém, reafirmou sua posição sobre a resistência palestina, sem condenar os crimes mencionados. Posteriormente, afirmou repudiar crimes sexuais e contestou a interpretação de suas declarações.
Esse esclarecimento pode até ser registrado, mas não elimina a questão central: por que a condenação inequívoca não veio imediatamente?
É essa hesitação inicial, diante de uma atrocidade, que considero profundamente perturbadora.
A casa está em chamas, mas discutem a ideologia do incendiário
Imagine uma casa em chamas. Lá dentro, uma mulher ferida grita por socorro. Do lado de fora, em vez de tentarem salvá-la, algumas pessoas discutem se o incendiário defendia uma causa justa.
A mulher continua gritando. O fogo avança. E o debate ideológico prossegue.
Essa inversão de prioridades provoca náusea moral.
Nenhuma bandeira política pode se sobrepor ao sofrimento de uma vítima. Não importa se o agressor se apresenta como revolucionário, religioso, nacionalista ou defensor de qualquer outra causa. Quem estupra está cometendo uma atrocidade.
Direitos humanos não podem depender de quem é a vítima
A dignidade de uma mulher israelense não vale menos que a de uma mulher palestina. A violência sexual contra uma mulher palestina deve ser condenada com a mesma firmeza.
Não há contradição entre defender os direitos do povo palestino e condenar os crimes do Hamas. Reconhecer o sofrimento de todos os civis é o mínimo para quem realmente acredita em direitos humanos.
O que não se pode aceitar é transformar vítimas em personagens secundárias de uma narrativa política. Ilana tem nome, história, família, sonhos e cicatrizes. Nada disso deveria desaparecer atrás de uma bandeira.
A linha moral que ninguém deveria atravessar
Neste caso, minha crítica é à forma como uma pergunta objetiva sobre violência sexual foi respondida por meio de uma argumentação político-ideológica.
Há situações em que a clareza moral precisa vir antes de qualquer explicação. Estupro é uma delas.
Não há heroísmo em violentar uma mulher, resistência legítima em sequestrar civis ou causa justa capaz de tornar esse sofrimento tolerável. Também não há razão para hesitar diante da condenação desses crimes.
Quando penso em Ilana Gritzewsky, não vejo uma bandeira israelense ou palestina. Vejo uma mulher cuja liberdade foi arrancada, cujo corpo foi agredido e cuja vida foi transformada pela violência.
É nela que o debate deveria começar.
Quando uma mulher relata violência sexual, a primeira obrigação é reconhecer a gravidade do crime, exigir justiça e proteger sua dignidade.
Uma sociedade que esquece esse princípio corre o risco de perder mais do que a capacidade de indignação: pode perder a própria humanidade.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Para mim, homens como esse Janones são piores que animais.
Na natureza, o macho não tortura a fêmea; ao contrário, a defende.
Pra extrema esquerda vale TUDO❗️Inclusive passar pano pra abuso sexual infantil e outros CRIMES sexuais❗️🤢🤮😪