Terceiro artigo da série “ESTRATÉGIA SENADO” com a missão Rio de Janeiro.
RIO DE JANEIRO, 21 de agosto de 2026 — Em 2018, um advogado de 45 entrou numa chapa como suplente de senador, aquele nome miúdo embaixo do santinho que quase ninguém lê.
Em outubro de 2020, a Covid levou o senador Arolde de Oliveira. No dia 3 de novembro, o suplente foi convocado a assumir a cadeira nas piores circunstâncias possíveis, substituindo um homem morto, num Senado em plena pandemia.
Quatro anos depois, o Ranking dos Políticos apontou esse homem como o melhor senador do Brasil.
O nome dele é Carlos Portinho. E é sobre ele, e sobre Carlos Jordy, que o eleitor do Rio precisa conversar antes de 4 de outubro.
Os números de um mandato exemplar
Portinho foi relator da Lei da Sociedade Anônima do Futebol, a Lei 14.193 de 2021, ouvindo mais de 1.600 pessoas do setor antes de fechar o texto. É a norma que tirou clubes brasileiros da falência crônica e reorganizou o futebol do país. No Rio, isso é economia, emprego e humor da cidade.
Foi relator do Marco Legal das Startups, a Lei Complementar 182 de 2021, que deu segurança jurídica a quem empreende em tecnologia no Brasil. E do Marco da Energia Eólica Offshore, a Lei 15.097 de 2025, que destrava a geração de energia no mar e coloca o Rio, com sua costa e sua indústria naval, no centro da próxima fronteira energética brasileira.
É autor da lei que estimula a conversão de imóveis para revitalizar centros históricos, tema que o carioca dispensa tradução, bastando andar pelo Centro depois das seis da tarde.
E os números do reconhecimento não vêm de marqueteiro. Melhor parlamentar do estado do Rio de Janeiro em 2021, 2022 e 2023. Melhor senador do Brasil em 2024. Quatro anos seguidos de avaliação no topo, feita por quem mede presença, produção e voto.
Some a isso o que ele carrega politicamente: foi líder do governo Bolsonaro no Senado em 2022 e é, há anos, o líder do Partido Liberal na Casa. Não é aliado recém-convertido. É quadro construído dentro da própria trincheira.
Contra o ativismo judicial, projeto e não discurso
Reclamar do Supremo em live é fácil. Difícil é apresentar texto.
Portinho está entre os senadores que aprovaram e seguem cobrando a PEC que proíbe ministro de suspender sozinho lei aprovada pelo Congresso. Chamou o quadro pelo nome: o Supremo passou a mandar no Executivo e no Legislativo, e isso deveria envergonhar os presidentes das duas Casas. Sobre Alexandre de Moraes, disse com todas as letras, falando como advogado além de senador, que há razões suficientes para abrir o processo de impeachment.
Em dezembro do ano passado foi além do discurso e apresentou a PEC 45 de 2025, que muda a raiz do problema: fim da indicação livre pelo presidente da República, mandato fixo de dez anos para ministro do STF, escolha restrita a juízes de carreira e mais poder ao Senado na aprovação. É a proposta mais concreta em circulação para desmontar o ativismo judicial pela porta da frente, sem ruptura e sem bravata.
Isso é o que se espera de um senador: transformar indignação em texto legal.
Jordy, aliado de primeira hora
Carlos Jordy não veio de berço político. Trabalhou como garçom e atendente em bares e restaurantes de Balneário Camboriú entre 2007 e 2009. Voltou para Niterói, estudou e passou em concurso público três vezes: décimo lugar na Prefeitura de São Gonçalo, aprovação para escrivão da Polícia Federal e quarto colocado entre mais de 6,5 mil inscritos na Antaq.
Vereador em Niterói em 2017. Deputado federal em 2019, eleito na onda que levou Jair Bolsonaro ao Planalto, e ali ficou. Não migrou quando ficou caro, não sumiu quando ficou perigoso. Reeleito em 2022 com cerca de 114 mil votos, virou líder da oposição na Câmara em 2023 e foi reconduzido ao posto em 2024 pelos próprios pares.
Quando Daniel Silveira foi preso por criticar ministros, Jordy não escolheu palavra macia para descrever quem assinou a ordem. Protocolou pedido de impeachment de Lula. Enfrentou a CPMI do 8 de Janeiro na linha de frente. E pagou o preço: teve a casa e o gabinete vasculhados na Operação Lesa Pátria, por decisão de Moraes, e contou que foi acordado às seis da manhã, ao lado da mulher e da filha, com fuzil no rosto.
Aliado de primeira hora não é slogan no caso dele. É folha corrida.
Por que a chapa importa
O Rio elege dois senadores no dia 4 de outubro, e é aqui que muita gente erra a conta.
Voto dividido entre dois campos não elege ninguém direito. Uma chapa puro-sangue, dois nomes do mesmo partido, com o mesmo compromisso e a mesma articulação, chega a Brasília somando. Foi por isso que Flávio Bolsonaro apontou Portinho e Jordy: um senador com mandato, produção e liderança comprovadas; um deputado com voto próprio, coragem testada e trânsito na base.
Juntos, chegam ao Senado como bloco, não como avulsos negociando espaço com quem os tolera.
E do outro lado da cédula?
Agora troque de página.
Benedita da Silva governou o Rio por nove meses em 2002, quando Anthony Garotinho renunciou para disputar a Presidência. Em outubro do ano passado, ao criticar a operação policial mais letal da história do estado, gravou vídeo dizendo que no tempo dela a polícia não entrava na favela para matar. Os dados do Instituto de Segurança Pública, órgão do próprio governo estadual, mostram 1.195 mortes em ações policiais naqueles nove meses, quase o dobro das 772 do ano anterior. Ela ainda se apresentou como quem prendeu chefes do tráfico sem um tiro e incluiu Fernandinho Beira-Mar na lista. Garotinho desmentiu com data: a prisão foi em abril de 2001, na Colômbia, antes de ela assumir.
Marcelo Crivella foi senador pelo Rio por catorze anos e não terminou nenhum dos dois mandatos. Em 2006 já disputava o governo do estado. Em 2012 largou a cadeira para ser ministro da Pesca de Dilma Rousseff, pasta sobre a qual admitiu que teria muito a aprender. Em 2014 saiu do ministério para tentar o governo de novo. Em 2016 abandonou o mandato antes do prazo para assumir a prefeitura. Catorze anos de Senado como sala de espera.
Na prefeitura, das 50 promessas registradas na Justiça Eleitoral, dez foram cumpridas, vinte e quatro não, e dezesseis não puderam sequer ser avaliadas porque a gestão não abria os dados. Prometeu R$ 250 milhões a mais por ano na saúde e o gasto caiu de R$ 4,98 bilhões em 2016 para R$ 4,36 bilhões em 2019. Em 2020, perdeu nas 49 zonas eleitorais da cidade. Todas.
A escolha óbvia
De um lado, uma chapa alinhada, produtiva e testada, com projeto escrito contra o ativismo judicial e compromisso com segurança, emprego e energia no Rio.
Do outro, uma candidata que reescreve o próprio governo em vídeo e um candidato que usou catorze anos de Senado para tentar sair dele.
Não é uma decisão difícil. Acorda carioca.
Rogerio Pires é professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Essa velha petista Benedita NÃO❗️🤢🤮😪
Não há o que discutir ou pensar. Não existe termos de comparação. Portinho-Jordy é o opção óbvia para o Rio.