André Mendonça parte pra cima de Gilmar Mendes
O ministro relator do caso Master rebateu suspeitas insinuadas pelo decano do STF, que insiste em remoer a Operação Lava Jato
BRASÍLIA, 17 de junho de 2026 — O ministro André Mendonça defendeu publicamente a continuidade das investigações envolvendo o escândalo do Banco Master durante sessão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve as prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo de Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira que entrou em liquidação sob suspeitas de fraude.
A manifestação ocorreu após uma longa intervenção do ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma, que retomou críticas à Operação Lava Jato ao analisar o caso. Gilmar havia pedido vista do processo e devolveu o julgamento com um voto que ocupou grande parte da sessão, marcada por referências ao que considera excessos cometidos durante a força-tarefa.
Durante sua exposição, o decano mencionou vazamentos de conversas privadas e levantou preocupações sobre possíveis pressões para obtenção de acordos de colaboração premiada por investigados da chamada Operação Compliance Zero.
Mendonça reagiu imediatamente.
“Não estamos aqui para julgar a Lava Jato. Não vou avaliar a Lava Jato porque não é o objeto deste julgamento. Estamos aqui para julgar a maior fraude financeira da história do nosso país — e, se não for a maior, certamente uma das maiores do mundo”, afirmou.
Relator do caso, Mendonça destacou que levou quatro anos para decretar sua primeira prisão desde que ingressou no STF. Segundo ele, não há qualquer utilização da prisão preventiva para forçar delações e eventuais irregularidades são apuradas.
O ministro afirmou ainda que um policial foi afastado em razão de vazamentos relacionados à investigação do Banco Master, classificando o episódio como um caso raro de responsabilização efetiva dentro de uma apuração criminal.
Ao responder às preocupações manifestadas por Gilmar sobre a morte de Luís Felipe Machado de Morais Mourão, conhecido como “Sicário”, dentro do sistema prisional, Mendonça declarou ter consultado previamente a defesa do investigado para avaliar qual local seria considerado mais seguro para sua custódia.
Sobre a manutenção da prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, o relator argumentou que ambos continuaram atuando para obstruir as investigações até a véspera das prisões.
“Henrique não está preso porque é o pai”, afirmou Mendonça, acrescentando que as mensagens obtidas pelos investigadores demonstrariam a periculosidade e a atuação coordenada do grupo.
Quando Gilmar observou que o combate à criminalidade deve respeitar os “métodos constitucionais”, Mendonça respondeu que exatamente isso vem sendo feito ao longo da investigação.
“O que eu não vou admitir são tentativas de desacreditar indevidamente a atuação, seja minha como relator, seja dos investigadores. Não vou transformar o certo em errado nem admitir que isso seja feito. A investigação, no que depender de mim, seguirá seu curso”, declarou.
O ministro também afirmou enxergar uma movimentação coordenada para criar questionamentos processuais capazes de comprometer a investigação.
“Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Estou acompanhando e assistindo aos movimentos”, disse, mencionando tentativas de obstrução sem detalhar seus autores.
Gilmar Mendes, por sua vez, voltou a sustentar que o foco da investigação deveria alcançar agentes do sistema financeiro e órgãos de supervisão, especialmente o Banco Central, além das instituições que mantiveram relações com o Banco Master.
O embate evidenciou mais uma divergência entre integrantes do Supremo sobre os limites das investigações de grande repercussão. Por ora, a posição de Mendonça prevaleceu no plano processual, com a manutenção das prisões e a continuidade das apurações. O caso, contudo, permanece em curso e promete novos capítulos dentro da Corte.



