Ataque russo atinge mosteiro histórico em Kiev
Bombardeio danifica a Catedral da Dormição, símbolo religioso da Ucrânia fundado há quase mil anos
KIEV, 15 de junho de 2026 — Uma nova onda de ataques russos contra a Ucrânia atingiu diversas cidades do país durante a madrugada desta segunda-feira, deixando ao menos 11 mortos e dezenas de feridos. Em Kiev, os bombardeios provocaram um incêndio de grandes proporções no complexo do Mosteiro de Kiev-Petchersk, um dos mais importantes patrimônios históricos e religiosos da Ucrânia.
Atingida durante o ataque, a Catedral da Dormição teve parte de sua estrutura destruída pelas chamas. O incêndio mobilizou mais de uma dezena de equipes de bombeiros, que trabalharam durante toda a noite para conter o fogo e evitar danos ainda maiores ao monumento.
Fundado em 1051, o Mosteiro de Kiev-Petchersk é considerado um dos principais símbolos da identidade espiritual e cultural ucraniana. Reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, o complexo é conhecido por suas cúpulas douradas e por um vasto sistema de cavernas subterrâneas que abriga relíquias religiosas e históricas.
Imagens divulgadas após o ataque mostram um grande rombo em uma das laterais da catedral e parte do telhado destruída pelo incêndio. Autoridades locais informaram que cinco pessoas morreram e outras 25 ficaram feridas apenas na capital.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que o fogo foi controlado nas primeiras horas da manhã e classificou o episódio como um dos ataques mais graves já realizados contra o patrimônio cristão do país desde o início da guerra.
“Este é um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até hoje”, declarou o líder ucraniano.
Zelenski também aproveitou a ocasião para pedir aos países do G7, reunidos nesta segunda-feira em cúpula internacional, uma resposta mais firme contra Moscou e o fortalecimento das capacidades de defesa aérea da Ucrânia.
Símbolo religioso em meio à guerra
O Mosteiro de Kiev-Petchersk ganhou relevância política nos últimos anos após disputas envolvendo sua administração religiosa. Depois da invasão russa de 2022, a Igreja Ortodoxa da Ucrânia rompeu formalmente seus vínculos com Moscou. Posteriormente, o governo ucraniano intensificou medidas contra instituições religiosas associadas ao Patriarcado Russo.
Autoridades locais classificaram o bombardeio como um ataque não apenas contra a Ucrânia, mas contra o patrimônio histórico e religioso mundial.
O chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, descreveu a ação como um “crime contra a humanidade, a história e o cristianismo”.
Além dos danos ao mosteiro, outro incêndio foi registrado em um edifício do Complexo Nacional de Arte e Museu Arsenal Mystetsky, também localizado na capital.
Mortes e destruição em várias regiões
Os ataques russos atingiram ainda outras partes da Ucrânia. Segundo o Ministério do Interior, cinco socorristas morreram durante operações de combate a incêndios na região de Kharkiv. Outra vítima fatal foi registrada em Kherson, próxima à linha de frente do conflito.
A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou 70 mísseis e 611 drones durante a ofensiva. De acordo com Kiev, os sistemas de defesa aérea conseguiram interceptar 50 mísseis e 582 drones antes que atingissem seus alvos.
Rússia nega responsabilidade
Moscou confirmou a realização de uma operação militar de grande escala contra alvos que classificou como instalações militares nas regiões de Kiev, Kharkiv e Dnipro. No entanto, o governo russo negou ter atingido deliberadamente a Catedral da Dormição.
Em comunicado, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o dano ao mosteiro teria sido causado por um míssil disparado por um sistema antiaéreo Patriot operado pelas forças ucranianas. Segundo a versão russa, uma possível falha técnica ou o uso de armamentos fornecidos por países ocidentais teria provocado o impacto no complexo religioso.
As alegações não puderam ser verificadas de forma independente. O episódio ocorre em meio à intensificação dos combates e à troca de acusações entre Moscou e Kiev sobre ataques a áreas civis e patrimônios históricos desde o início da guerra.



