Bonitinhas mas hipócritas: Tabata Amaral e Luana Piovani pregam uma coisa e fazem outra
O discurso é de esquerda, a conta bancária é outra: a hipocrisia de Tabata e Piovani exposta
Às vezes, a política brasileira entrega histórias tão absurdas que parecem roteiro de comédia. Desta vez, duas mulheres públicas — uma deputada federal e uma atriz — protagonizaram episódios que revelam, com clareza cirúrgica, o abismo que separa o discurso da realidade. O nome do fenômeno tem nome: hipocrisia.
O caso Tabata
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) já afirmou publicamente que as casas de apostas têm comprometido a saúde mental e a renda do trabalhador, sustentando que “o vício em apostas virou uma verdadeira pandemia, e o papel do Congresso Nacional é não fechar os olhos para isso”. Bonito discurso. O problema é o que acontece a dois passos de distância.
A deputada chegou a apagar uma publicação no Instagram em que classificava como “inaceitável” o patrocínio de uma casa de apostas a um evento público em São Paulo — isso depois que internautas lembraram que ela esteve presente em eventos do São João do Recife ao lado de João Campos, seu namorado, em locais com ampla divulgação da “Esportes da Sorte”, uma das patrocinadoras da festa.
Não foi coincidência. O Projeto de Lei 02/2025, proposto pelo prefeito João Campos (PSB) e aprovado em regime de urgência pela Câmara Municipal do Recife, alterou o Código Tributário municipal para reduzir de 5% para 2% a alíquota do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) sobre serviços relacionados à distribuição e venda de bilhetes e produtos de loteria — beneficiando diretamente as bets.
Ou seja: enquanto Tabata discursa contra as apostas no Congresso, pelo segundo ano consecutivo, o Esportes da Sorte integra o grupo de patrocinadores oficiais do São João do Recife — o principal evento da cidade do marido que acabou de cortar o imposto dessas mesmas empresas. A conta não fecha. O discurso vai pelo ralo.
O caso Luana
Se o caso Tabata é sobre interesse velado, o caso Luana Piovani é mais simples ainda: é sobre dinheiro mesmo.
O Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) contratou a atriz Luana Piovani para publicar um vídeo contra a PEC que dá autonomia financeira ao BC. A contratação, no valor de R$ 300 mil, foi aprovada em reunião da entidade na véspera da votação da proposta na CCJ do Senado.
No mesmo dia, Piovani publicou um vídeo nas redes sociais com a hashtag “#publi”, indicando conteúdo pago, afirmando que “a PEC do Banco Central não é sobre autonomia” e classificando a proposta como um “tapa na cara do povo”.
De acordo com a ata da reunião, o sindicato escolheu a atriz por sua “atuação pública em manifestações relacionadas a temas de interesse social e a propostas consideradas prejudiciais à população”. Em outras palavras: pagaram por uma reputação de indignada gratuita. R$ 300 mil para parecer espontânea.
Não existe esquerdista grátis.
O padrão
Os dois episódios têm uma estrutura idêntica. Uma pessoa pública constrói uma imagem de militância, de indignação com o sistema, de defensora do povo — e, nos bastidores, o comportamento é completamente outro. Uma tolera (e se beneficia politicamente de) aquilo que diz combater. A outra vende sua voz e imagem por um valor que a maioria dos brasileiros jamais verá reunido.
O Brasil tem uma longa tradição de figuras que vivem desse intervalo entre o discurso e a prática. O que é diferente agora é que as redes sociais encurtaram esse intervalo. A publicação some, mas o print fica. A ata vaza, a hashtag permanece. A contradição, inevitavelmente, aparece.
Bonitinhas, sim. Mas ordinárias e hipócritas — exatamente isso.



