Casal é preso em mansão de luxo no Suriname por financiar e armar o CV
Operação Red Fox mira rede internacional de tráfico de armas e lavagem de dinheiro; Justiça bloqueia quase R$ 500 milhões em bens
RIO DE JANEIRO, 23 de junho de 2026 — Um casal brasileiro apontado pelas autoridades como peça-chave na estrutura financeira e logística do Comando Vermelho (CV) foi preso em uma mansão de luxo em Paramaribo, capital do Suriname, durante uma operação internacional coordenada pela Polícia Federal brasileira e autoridades surinamesas.
As prisões ocorreram no âmbito da Operação Red Fox, investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF), que apura uma rede de tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e financiamento da facção criminosa.
O principal alvo da investigação é Arnaldo Ribeiro, apontado pelos investigadores como operador financeiro e fornecedor de armamentos para o Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, ele teria movimentado mais de R$ 150 milhões em recursos vinculados à organização criminosa.
De acordo com as investigações, Arnaldo mantinha contato direto com Edgard Alves Andrade, conhecido como “Doca”, uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, e atualmente considerado foragido pelas autoridades.
Também foi presa Denise Mendonça, esposa de Arnaldo, apontada como responsável pela logística e pela movimentação financeira do esquema. Os investigadores afirmam que ela realizava viagens frequentes ao Suriname em períodos que coincidiam com operações suspeitas relacionadas à aquisição de armas e à transferência de recursos para integrantes da facção.
A captura do casal ocorreu em uma residência de alto padrão na capital surinamesa, após ação conjunta envolvendo forças de segurança locais e mecanismos de cooperação internacional. Após serem localizados e detidos, os dois foram transferidos para o Brasil. Ao desembarcarem em Belém, no Pará, receberam voz de prisão da Polícia Federal.
Segundo a investigação, Arnaldo teria participado da negociação para aquisição de pelo menos dez fuzis AK-47 destinados a integrantes do Comando Vermelho que atuam na Região Norte do país. As autoridades sustentam que o esquema operava uma complexa estrutura de compra de armamentos, movimentação financeira internacional e ocultação de patrimônio.
A Operação Red Fox teve alcance nacional e internacional. Ao todo, a Justiça Federal expediu 13 mandados de prisão. Até o momento, quatro foram cumpridos — incluindo o casal preso no Suriname e outros dois investigados localizados no Rio de Janeiro e em Tabatinga, no Amazonas, cidade estratégica na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Outros nove alvos permanecem foragidos.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio de quase R$ 500 milhões em bens e ativos financeiros vinculados aos investigados, em uma das maiores medidas patrimoniais já adotadas em ações recentes contra organizações criminosas com atuação transnacional.
As autoridades afirmam que o caso evidencia a crescente internacionalização das operações do Comando Vermelho, facção originada nos presídios do Rio de Janeiro e que, nos últimos anos, expandiu sua atuação para rotas internacionais de tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
A investigação também reforça a preocupação das autoridades com o uso de países da região amazônica e do norte da América do Sul como pontos de apoio logístico para organizações criminosas brasileiras. O Suriname, em especial, tem sido monitorado por órgãos de inteligência e segurança devido à sua posição estratégica em rotas utilizadas por traficantes de armas e drogas.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da rede criminosa, rastrear ativos ocultados no exterior e localizar os suspeitos que permanecem foragidos.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico. Até o momento, as defesas dos acusados não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.



