Caso Master: Mendonça afasta delegada da PF por vazamento de dados
O afastamento da delegada Valéria marca nova fase da Operação Compliance Zero
BRASÍLIA, 17 de maio de 2026 — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento cautelar da delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva no âmbito da 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de vazamento de informações sigilosas, acesso indevido a sistemas internos da PF e atuação de uma estrutura paralela de inteligência ligada ao grupo investigado no caso do Banco Master.
A decisão inclui ainda a entrega do passaporte da delegada em até 24 horas e a proibição de deixar o país. Segundo a Polícia Federal, Valéria é suspeita de acessar sem autorização funcional dados sigilosos do sistema e-Pol relacionados a investigações conduzidas pela Superintendência Regional da PF em São Paulo, apesar de estar lotada em Minas Gerais desde 2006.
De acordo com documentos apresentados ao STF, a PF sustenta que as informações consultadas teriam sido repassadas — direta ou indiretamente — a integrantes de uma organização investigada por operar serviços clandestinos de monitoramento, intimidação, obtenção de dados reservados e invasões telemáticas.
Na decisão, Mendonça afirmou haver “indícios concretos” de atuação incompatível com as atribuições funcionais da delegada e considerou que as medidas cautelares eram necessárias para preservar a investigação, evitar destruição de provas e impedir continuidade de acessos considerados indevidos. Segundo o ministro, a conduta investigada “ultrapassa mera relação de proximidade com investigados”.
A 6ª fase da operação também resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os presos está Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a PF, o grupo investigado era dividido em dois núcleos principais. Um deles, conhecido internamente como “A Turma”, seria responsável por ações presenciais de intimidação, monitoramento e obtenção de informações sigilosas. O segundo núcleo, chamado de “Os Meninos”, atuaria na área tecnológica, incluindo supostas invasões cibernéticas, monitoramento telemático clandestino e derrubada de perfis digitais.
Entre os alvos da operação estão policiais federais ativos e aposentados suspeitos de facilitar acessos internos a bancos de dados reservados da corporação. A PF também investiga o uso de empresas interpostas e operadores financeiros para custear as atividades investigadas.
A operação ganhou maior repercussão após o vazamento de um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro relacionado à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o material tenha sido divulgado dias antes da nova fase da investigação, não há, até o momento, acusação formal ligando diretamente o vazamento ao núcleo hacker investigado pela PF.
A defesa da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva negou irregularidades e afirmou que não há provas de vazamento de informações sigilosas. Segundo os advogados, os acessos realizados podem ser rastreados individualmente e não demonstram compartilhamento ilegal de dados.
A Operação Compliance Zero segue em fase de investigação, sem condenações até o momento. A PF apura possíveis crimes de organização criminosa, violação de sigilo funcional, invasão de dispositivos informáticos, corrupção e lavagem de dinheiro.



