China e Cuba celebram ditadores e reforçam eixo comunista em Pequim
Evento em homenagem aos 95 anos de Raúl Castro serviu para reafirmar a aliança entre dois dos mais longevos regimes autoritários do planeta
PEQUIM, 03 de junho de 2026 — Enquanto milhões de cubanos enfrentam escassez de alimentos, apagões constantes e uma das maiores crises econômicas da história recente da ilha, autoridades da China e de Cuba reuniram-se nesta semana em Pequim para celebrar os 95 anos de Raúl Castro, um dos principais responsáveis pela manutenção da ditadura comunista que governa Cuba há mais de seis décadas.
A cerimônia, realizada na Embaixada de Cuba na capital chinesa, foi muito além de uma simples homenagem pessoal. O evento transformou-se em uma demonstração explícita de apoio político entre dois regimes que compartilham o mesmo modelo de partido único, controle estatal da informação, repressão à oposição e severas restrições às liberdades individuais.
Representantes do Partido Comunista Chinês (PCCh), aproveitaram a ocasião para reafirmar o apoio de Pequim ao governo cubano e condenar as pressões internacionais contra Havana. Autoridades chinesas também criticaram as sanções impostas pelos Estados Unidos e defenderam a continuidade da cooperação política, econômica e diplomática entre os dois países.
A celebração ocorreu em um momento delicado para Cuba. O regime enfrenta crescente insatisfação popular diante do colapso econômico, da falta de energia elétrica, da inflação elevada e do êxodo de centenas de milhares de cubanos que abandonaram a ilha nos últimos anos em busca de liberdade e melhores condições de vida.
Apesar desse cenário, os discursos proferidos durante o evento exaltaram a trajetória de Raúl Castro como símbolo da continuidade da Revolução Cubana. O embaixador cubano em Pequim, Alberto Blanco, descreveu o ex-líder como um defensor da soberania nacional e da independência do país.
Já o vice-ministro do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, Ma Hui, classificou Raúl Castro como um “grande amigo do povo chinês” e reafirmou a oposição de Pequim às medidas adotadas por Washington contra o regime cubano.
A programação incluiu ainda o lançamento da edição em mandarim de uma biografia de Raúl Castro, apresentada como parte do intercâmbio cultural entre os dois governos. O gesto simboliza o esforço contínuo para fortalecer laços ideológicos entre Pequim e Havana, inclusive no campo acadêmico e editorial.
A aproximação entre China e Cuba tem adquirido relevância crescente nos últimos anos. Além da cooperação econômica, especialistas em segurança internacional observam o fortalecimento de parcerias estratégicas entre os dois regimes em áreas como inteligência, tecnologia, telecomunicações e influência geopolítica.
Para críticos dos governos comunistas, a cerimônia em Pequim serviu como mais uma demonstração de solidariedade entre regimes que resistem às pressões por abertura política e democratização. Enquanto os discursos oficiais celebravam a chamada “amizade histórica” entre os dois países, opositores destacam que tanto Cuba quanto China continuam sendo exemplos de sistemas que concentram poder, restringem liberdades civis e perseguem dissidentes.
Ao final do evento, autoridades chinesas reafirmaram seu apoio irrestrito ao governo cubano, consolidando mais um capítulo da longa aliança entre duas das últimas grandes ditaduras comunistas ainda em funcionamento no mundo.



