Cláudio Castro volta a ser alvo da PF
Polícia Federal está em nova fase de investigação sobre investimentos bilionários do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master
RIO DE JANEIRO, 26 de maio de 2026 — A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes financeiros relacionados a investimentos realizados pelo Rioprevidência em fundos vinculados ao Banco Master. Entre os alvos da operação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que teve sua residência alvo de mandado de busca e apreensão.
A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e mobilizou agentes para o cumprimento de dez mandados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Os investigadores apuram a destinação de aproximadamente R$ 3 bilhões de recursos públicos para fundos administrados pelo conglomerado financeiro controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo as investigações, os valores tiveram origem no Rioprevidência, fundo responsável pela gestão dos benefícios de cerca de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. A Polícia Federal busca esclarecer as circunstâncias que envolveram os aportes e verificar possíveis irregularidades na aplicação desses recursos.
Um dos mandados foi cumprido no apartamento de Cláudio Castro, localizado em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca. A defesa do ex-governador informou que ele acompanha as diligências com tranquilidade e está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Esta é a segunda vez em menos de duas semanas que Castro se torna alvo de buscas da Polícia Federal. No último dia 15, agentes estiveram em sua residência durante uma operação que investigava supostas fraudes fiscais relacionadas à antiga Refinaria de Manguinhos, atualmente denominada Refit.
A nova ofensiva é considerada um desdobramento da Operação Barco de Papel, iniciada no começo do ano. Naquela fase da investigação, a PF identificou movimentações consideradas suspeitas envolvendo cerca de R$ 970 milhões aplicados pelo Rioprevidência no Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024.
As apurações avançaram após a identificação de novos investimentos que teriam elevado o volume total de recursos destinados a fundos ligados à instituição financeira para aproximadamente R$ 3 bilhões. Os investigadores agora buscam determinar quem autorizou as operações e se os aportes seguiram os critérios legais e técnicos exigidos para a gestão de recursos previdenciários.
O caso também repercute no campo político. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputados articulam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os investimentos realizados pelo estado junto ao Banco Master. Parlamentares apontam que parte dos aportes teria ocorrido mesmo após alertas emitidos por órgãos de controle, incluindo restrições impostas pelo Tribunal de Contas do Estado.
Além do Rioprevidência, há questionamentos sobre aplicações realizadas por outras entidades públicas fluminenses. O avanço das investigações aumenta a pressão sobre ex-integrantes da administração estadual e pode abrir uma nova frente de debates sobre a gestão dos recursos previdenciários e financeiros do Rio de Janeiro.
Com a operação desta terça-feira, a Polícia Federal aprofunda uma investigação que já movimenta os bastidores políticos do estado e que tem potencial para revelar o destino de bilhões de reais provenientes dos cofres públicos.



