Comprovado: esquerda usa robôs contra Flávio Bolsonaro nas redes
Representação aponta 51 páginas, 4,6 mil anúncios políticos e pagamentos feitos em reais, dólares e pesos colombianos; advogada afirma nunca ter visto estrutura semelhante em 20 anos de Direito Eleito
BRASÍLIA, 21 de julho de 2026 — A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma representação para investigar uma rede de perfis falsos que teria movimentado milhões de reais na divulgação de ataques políticos contra nomes da direita.
O levantamento entregue à Corte identificou 51 páginas com características semelhantes, responsáveis pela publicação de 4.607 anúncios patrocinados entre março e o fim de junho. Os gastos estimados chegam a aproximadamente R$ 3 milhões, além de US$ 20 mil e 42 mil pesos colombianos.
Embora tivessem poucos seguidores, as páginas teriam alcançado entre 77 milhões e 137 milhões de usuários por meio do impulsionamento pago. Os principais alvos seriam Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello.
“Nunca vi nada parecido”, diz Bucchianeri.
Perfis eram criados, impulsionados e apagados
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, responsável pela representação, afirmou que a estrutura foi descoberta por acaso, durante o acompanhamento da biblioteca pública de anúncios da Meta.
A equipe teria percebido que perfis praticamente desconhecidos contratavam campanhas publicitárias que, em alguns casos, chegavam a R$ 200 mil. A dimensão financeira das operações levou a pré-campanha a iniciar uma investigação própria.
“Estou há 20 anos cuidando de Direito Eleitoral. Nunca vi nada parecido. Aquilo que em 2022 a gente chamava de milícia digital virou menor infrator perto dessa estrutura”, declarou Bucchianeri durante atendimento à imprensa na sede do TSE.
De acordo com a advogada, não se trata simplesmente de robôs ou de uma fazenda de aparelhos celulares. A suspeita é de que pessoas reais utilizavam documentos falsos, linhas telefônicas e meios de pagamento para criar contas, contratar anúncios políticos e apagar os perfis logo depois das publicações.
Em seguida, novas páginas eram abertas com nomes, formatos e conteúdos semelhantes, reiniciando o ciclo.
A sucessão de criação e desaparecimento das contas dificultaria a preservação das provas e a identificação dos responsáveis. Bucchianeri afirmou que muitos dos perfis citados na representação provavelmente já foram excluídos.
Pagamentos em três moedas
Outro elemento que chamou a atenção da equipe jurídica foi o uso de diferentes moedas nos impulsionamentos.
Os anúncios teriam sido pagos em reais, dólares americanos e pesos colombianos. A documentação disponível até o momento, porém, não permite concluir por que a moeda colombiana foi utilizada nem se os pagamentos tiveram origem no exterior.
Também foi identificada uma recorrência de linhas telefônicas com DDD 41, correspondente ao Paraná. A defesa afirma que ainda não há elementos para explicar a concentração ou apontar eventual participação de empresas responsáveis pela venda ou ativação de chips.
Esses dados deverão ser apurados a partir das informações mantidas pelas plataformas digitais, instituições financeiras e operadoras telefônicas.
TSE poderá requisitar dados da Meta
A representação pede que a Meta forneça endereços de IP, dados cadastrais, números telefônicos e registros dos meios de pagamento usados na contratação dos anúncios.
A intenção é descobrir quem controlava as páginas, quem financiava os impulsionamentos e se havia coordenação entre os diferentes perfis.
O material apresentado ao TSE inclui informações individualizadas sobre as contas, como datas de criação, contratação dos anúncios, exclusão das páginas, valores investidos e conteúdos publicados. Gráficos anexados à petição procurariam demonstrar uma atuação encadeada entre os perfis.
A análise da pré-campanha foi realizada exclusivamente com informações públicas disponíveis na biblioteca de anúncios da Meta. A equipe jurídica afirma que chegou ao limite do que poderia ser descoberto sem uma ordem judicial.
Representação não acusa partidos ou candidatos
O líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a medida não atribui, neste momento, responsabilidade a partidos, candidatos ou grupos políticos determinados.
“Não estamos acusando ninguém. Queremos que a investigação aconteça para identificar quem está por trás dessa ação criminosa, deliberada e planejada”, declarou.
Marinho, Bucchianeri e o advogado Marcelo Bessa participaram de uma reunião com o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, antes da coletiva de imprensa.
A peça apresentada não é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, instrumento que somente pode ser utilizado depois do registro oficial das candidaturas. Trata-se de uma representação especial destinada, inicialmente, à preservação das provas e à identificação dos responsáveis.
Como os administradores das contas permanecem desconhecidos, ainda não existe um polo passivo definido no processo.
Operação poderá testar capacidade da Justiça Eleitoral
A dimensão financeira, o volume de anúncios e a rapidez com que os perfis surgiam e desapareciam colocam o caso em uma categoria diferente das tradicionais campanhas anônimas nas redes sociais.
A legislação eleitoral proíbe o impulsionamento pago de conteúdos negativos contra candidatos e adversários. No caso denunciado, a pulverização dos recursos em milhares de anúncios menores teria ampliado o alcance das publicações e reduzido a possibilidade de detecção pelos sistemas automáticos das plataformas.
A existência de uma rede coordenada ainda precisa ser confirmada pela investigação. Também permanece desconhecida a origem dos recursos, a identidade dos operadores e a eventual participação de organizações políticas.
Se os dados apresentados forem corroborados, o caso poderá revelar uma estrutura profissional criada não apenas para produzir conteúdo falso, mas para financiar, distribuir e apagar sistematicamente os vestígios de uma operação de interferência política digital.



