Contrato de R$ 50 milhões expõe conexão do Master com esposa de Moraes
Nova documentação encontrada por investigadores coincide exatamente com valor que ainda faltaria ser pago em contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes
BRASÍLIA, 09 de junho de 2026 — As investigações envolvendo o Banco Master ganharam um novo elemento que amplia os questionamentos sobre a relação financeira entre o grupo comandado por Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal apontam a existência de uma minuta de contrato no valor de R$ 50 milhões que teria sido elaborada entre uma empresa ligada a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes. O contrato nunca chegou a ser assinado nem gerou pagamentos, mas chamou a atenção dos investigadores por um detalhe considerado relevante: o valor coincide exatamente com a quantia que ainda faltaria ser paga de um contrato anterior firmado entre o Banco Master e o escritório da família do ministro.
O contrato original previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões durante três anos, alcançando cerca de R$ 129 milhões em honorários. Dados encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado indicam que pouco mais de R$ 80 milhões teriam sido pagos até novembro de 2025, deixando justamente cerca de R$ 50 milhões pendentes.
A coincidência dos valores passou a ser um dos principais pontos analisados pelos investigadores. A suspeita é que a nova minuta pudesse ter sido concebida para garantir a continuidade dos pagamentos previstos no contrato original em meio à crise financeira que atingia o Banco Master e às negociações para mudança de controle da instituição.
Outro aspecto que despertou atenção é que a minuta encontrada não identificava claramente qual empresa assumiria a obrigação financeira. Também não haveria detalhamento considerado suficiente sobre os serviços que justificariam uma contratação de tamanha magnitude nem sobre as condições de pagamento previstas no documento.
O tema chegou a ser mencionado na primeira proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro à Polícia Federal. Segundo relatos de pessoas que acompanham o caso, a explicação oferecida pelo banqueiro foi considerada superficial e insuficiente para esclarecer a finalidade econômica da operação, contribuindo para que o acordo fosse rejeitado pelos investigadores.
A relação entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes já vinha sendo alvo de questionamentos desde a revelação do contrato original de R$ 129 milhões. O documento previa atuação estratégica e consultiva junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal, Cade, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Congresso Nacional.
Em notas divulgadas anteriormente, o escritório Barci de Moraes afirmou que os serviços contratados foram efetivamente prestados e que nunca celebrou o segundo contrato de R$ 50 milhões, tampouco recebeu qualquer valor relacionado à minuta encontrada pelos investigadores.
Até o momento, nem Alexandre de Moraes nem sua esposa figuram como alvos das investigações. Ainda assim, a descoberta da minuta e a coincidência dos valores ampliaram as dúvidas sobre a estrutura financeira que cercava os contratos milionários mantidos entre o Banco Master e o escritório da família do ministro.



