RIO DE JANEIRO, 27 de setembro de 2026 — Faltam sete dias para o primeiro turno. Se você é cristão, eu te peço cinco minutos. Não para dizer em quem votar. Para mostrar três fatos, na ordem em que aconteceram, e deixar que você mesmo junte as peças.
A frase
No domingo, 30 de agosto, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que Lula teria dito a um senador aliado, durante gravações para o horário eleitoral: “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno.” Segundo o relato, ele acrescentou que um segundo turno seria muito complicado.
Pode ser só força de expressão. Pode. Mas eu já ouvi essa música antes. Em 2013, Dilma Rousseff disse em público que se pode fazer o diabo quando chega a hora da eleição. O Brasil sabe o que veio depois.
A mentira
Na noite de quarta, 23 de setembro, começou a circular nas redes que Flávio Bolsonaro queria tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Era falso. O texto usado como base é o PL 2.623/2007, apresentado por outro deputado, o Professor Victório Galli, e arquivado pela Câmara em agosto de 2008. Flávio nunca teve nada a ver com ele. O projeto sequer existe mais.
Mesmo assim, na quinta, 24, o boato ganhou o empurrão que faltava. No GloboNews Em Pauta, a jornalista Maria Cristina Fernandes falou de um suposto movimento de evangélicos para tirar da padroeira o seu título. O trecho do programa virou munição nas redes. Segundo a campanha de Flávio, o conteúdo passou de 5 milhões de visualizações em menos de 48 horas.
Na madrugada de sexta, a emissora corrigiu a informação e pediu desculpas.
A mentira correu o país em horário nobre. A correção foi ao ar de madrugada. Pense em quantas pessoas viram uma e quantas viram a outra.
A página
Em 24 de outubro de 2022, na capela do Palácio da Alvorada, o então presidente Jair Bolsonaro consagrou o Brasil a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. O texto integral foi publicado no gov.br, o portal oficial do governo federal. Tornar o ato público fazia parte do próprio sentido da consagração.
Hoje eu fui conferir o endereço com meus próprios olhos. A consagração não aparece mais. No lugar dela, surge um aviso: “Conteúdo Restrito. É necessário autenticar para visualizar essa página.”
Repare no detalhe. Não é link quebrado. Não é página apagada numa faxina de sistema. É uma página trancada. Ela continua lá, mas você, cidadão, não pode mais ler. A versão original só sobrevive porque alguém salvou uma cópia no Wayback Machine antes.
Então eu pergunto, e quero resposta oficial: quem restringiu essa página? Quando? E por quê?
Qualquer um de nós pode fazer essa pergunta pela Lei de Acesso à Informação, na plataforma Fala.BR. O governo tem prazo para responder.
Juntando as peças
Uma frase sobre fazer o diabo para vencer. Uma mentira envolvendo a Mãe de Jesus, espalhada a dez dias da eleição. E o registro da consagração do país à padroeira trancado no portal oficial.
Separados, parecem acaso. Juntos, formam um desenho que o cristão tem todo o direito de enxergar.
Amanhã é o último domingo antes da eleição. Muita gente vai aparecer na porta da sua igreja com sorriso pronto, santinho na mão e o nome de Deus na boca, pedindo o seu voto. Alguns defendem partidos e ideologias que querem descriminalizar o aborto e liberar as drogas. O mesmo campo político que regulamentou as bets e viu o vício em apostas entrar na casa de milhões de famílias brasileiras.
Não estou pedindo que você acredite em mim. Estou pedindo o contrário. Confira cada fato deste texto. As datas estão aqui, os nomes também. Abra o link do gov.br você mesmo. E tire a sua própria conclusão.
Cristão de verdade não entrega a consciência a partido nem a ideologia. Entrega a Deus.
Se este texto te fez pensar, compartilhe. Tem muita gente que ainda não conhece essa história.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.



