Defesa de Bolsonaro pede anulação de delação de Mauro Cid
Segundo a defesa, o conteúdo atribuído a Cid contraria a versão formal apresentada por ele no acordo de colaboração premiada e compromete a credibilidade dos elementos usados nas investigações
BRASÍLIA, 7 de julho de 2026 — A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, sob o argumento de que o militar teria violado o sigilo do acordo e colocado em dúvida a validade dos próprios depoimentos.
O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator de investigações que envolvem Bolsonaro e aliados. Os advogados afirmam que áudios e mensagens divulgados pela imprensa indicam que Cid compartilhou informações confidenciais ligadas à colaboração e relatou, em perfis de redes sociais, coação por parte de investigadores.
Segundo a defesa, o conteúdo atribuído a Cid contraria a versão formal apresentada por ele no acordo de colaboração premiada e compromete a credibilidade dos elementos usados nas investigações. Os advogados sustentam que, ao comentar o caso fora dos autos e supostamente desmentir trechos de sua própria narrativa, o militar teria descumprido obrigações previstas no acordo.
A Procuradoria-Geral da República e o STF determinaram a realização de perícia sobre o material divulgado. A análise deve verificar a autenticidade dos áudios e mensagens, além de avaliar se houve adulteração ou contextualização incompleta das conversas.
A defesa de Bolsonaro afirma que, caso a autenticidade seja confirmada, a colaboração de Cid não poderia mais ser usada como prova contra o ex-presidente. Os advogados pedem que o STF reconheça a nulidade do acordo e retire dos autos os elementos derivados da delação.
Mauro Cid firmou acordo de colaboração com a Polícia Federal no âmbito de investigações que miram Bolsonaro e integrantes de seu entorno. A delação se tornou uma das principais bases da perseguição conduzida pelo Supremo.



