Direita limpinha: marqueteiro de Zema estava na Lava Jato
Renato Pereira participou de esquemas de caixa dois, uso de propina em campanhas eleitorais e cometeu crimes entre publicidade, contratos públicos e financiamento político
RIO DE JANEIRO, 19 de maio de 2026 — O marqueteiro que hoje atua na engrenagem política de Romeu Zema não surgiu do nada. Antes de circular nos bastidores do discurso de “nova política”, Renato Pereira foi uma das peças mais importantes do velho sistema político do Rio de Janeiro — justamente o sistema que explodiu na Operação Lava Jato.
Renato Pereira era o principal estrategista das campanhas do MDB fluminense durante o auge da máquina de poder construída por Sérgio Cabral. Trabalhou diretamente para Cabral, participou das campanhas de Luiz Fernando Pezão e também esteve ligado às campanhas de Eduardo Paes. Era um operador central do marketing político do grupo que dominou o Rio por anos.
Seu nome ganhou projeção nacional quando decidiu firmar acordo de delação premiada no contexto da Lava Jato. Nos depoimentos à Procuradoria-Geral da República, Renato Pereira relatou esquemas de caixa dois, uso de propina em campanhas eleitorais e relações promíscuas entre publicidade, contratos públicos e financiamento político.
O caso provocou tamanho desconforto institucional que chegou ao STF. O ministro Ricardo Lewandowski recusou inicialmente homologar o acordo por entender que os benefícios concedidos ao marqueteiro extrapolavam os limites do Ministério Público e invadiam competência do Judiciário.
O episódio expôs algo maior: durante anos, o marketing político no Rio funcionou como uma extensão do poder estatal. Agências de publicidade orbitavam governos, contratos públicos e campanhas eleitorais num mesmo ecossistema político-financeiro.
Agora, anos depois, o mesmo marqueteiro reaparece ligado ao projeto político de Romeu Zema — político que tenta consolidar uma imagem de gestor liberal, contra a corrupção e antissistema.
Até que ponto um projeto que se vende como ruptura realmente representa ruptura quando recorre aos operadores do velho establishment investigado pela Lava Jato?
Porque no Brasil, muitas vezes, muda-se o discurso, muda-se a embalagem, muda-se o slogan. Mas os profissionais do subterrâneo político continuam exatamente os mesmos.



