Empresa investigada por suspeita de golpes transferiu R$ 17,7 milhões para Virginia Fonseca
Documentos revelados após a CPI das Bets mostram repasses milionários feitos por empresa de Santa Catarina alvo de investigações por estelionato em diferentes estados
SANTA CATARINA, 02 de junho de 2026 — Uma empresa sediada em Santa Catarina e investigada por suspeitas de estelionato realizou transferências que somam R$ 17,7 milhões para a Talismã Digital, empresa que pertencia à influenciadora Virginia Fonseca e ao cantor Zé Felipe. Os pagamentos ocorreram entre março e setembro de 2024 e vieram à tona após a divulgação de documentos que permaneceram sob sigilo durante a CPI das Bets.
Os repasses foram feitos pela AMP Pay Marketing e Negócios, empresa registrada em Itajaí, no litoral catarinense. Segundo os documentos revelados, as transferências ocorreram poucos meses após a abertura da companhia, que foi criada com capital social declarado de apenas R$ 50 mil e enquadrada no regime do Simples Nacional.
A revelação colocou Virginia no radar das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre movimentações financeiras relacionadas ao mercado de apostas e publicidade digital.
A AMP Pay opera a partir de um box comercial em Itajaí e acumula uma série de questionamentos judiciais. Em diferentes estados, a empresa aparece vinculada a processos envolvendo supostos golpes financeiros, fraudes em investimentos e intermediação de pagamentos contestados por clientes.
Uma das investigações teve início em Minas Gerais, após um morador da cidade de Lajinha relatar prejuízo superior a R$ 70 mil. Segundo o inquérito, a vítima foi atraída por anúncios nas redes sociais que prometiam ganhos financeiros por meio de investimentos online. Após realizar depósitos sucessivos, incentivados por supostos alertas de perdas que exigiriam novos aportes, o investidor acabou acumulando prejuízo significativo.
O caso levou a Polícia Civil mineira a encaminhar a investigação ao Ministério Público. Outra empresa registrada no mesmo endereço da AMP Pay e aberta na mesma data também passou a ser alvo das apurações.
Em outro episódio analisado pela Justiça de Minas Gerais, a AMP foi condenada a ressarcir uma vítima após o desvio de recursos pagos por meio de um boleto fraudulento. A decisão judicial entendeu que a empresa figurou como beneficiária final da operação considerada irregular.
Há ainda processos em andamento no Ceará e em São Paulo envolvendo relatos semelhantes. Em uma das ações, julgada pelo Tribunal de Justiça paulista, magistrados reconheceram a existência de fraude após uma vítima afirmar ter sido atraída por campanhas publicitárias agressivas e impedida de recuperar os valores investidos.
As investigações também mencionam conexões entre a AMP Pay, a empresa Capivo, registrada nas Ilhas Marshall, conhecidas por seu regime fiscal favorável, e outras companhias ligadas ao setor de pagamentos digitais.
Questionados sobre os repasses milionários, representantes de Virginia Fonseca afirmaram que os R$ 17,7 milhões corresponderam ao pagamento de campanhas publicitárias regularmente contratadas. Segundo a defesa da influenciadora, todas as operações foram declaradas às autoridades fiscais competentes e acompanhadas das respectivas notas fiscais.
Os advogados, no entanto, não detalharam quais serviços específicos justificariam os pagamentos nem explicaram a origem da capacidade financeira da empresa catarinense para realizar transferências de tamanha magnitude poucos meses após sua criação.
O caso ganhou repercussão por ocorrer em meio às investigações sobre o mercado de apostas online e o papel de influenciadores digitais na promoção dessas plataformas. Com a divulgação dos documentos da CPI das Bets, autoridades agora analisam se as movimentações financeiras possuem relação com atividades que estão sob investigação em diferentes órgãos de controle.
Até o momento, não há acusação formal contra Virginia Fonseca. As apurações seguem em andamento.



