EUA ampliam sanções contra cúpula do regime cubano e atingem familiares dos Castro
Nova rodada de medidas anunciada por Washington mira Miguel Díaz-Canel, integrantes da família Castro e órgãos centrais da ditadura cubana
WASHINGTON, 05 de junho de 2026 — Os Estados Unidos anunciaram uma nova ofensiva contra a elite dirigente de Cuba. Em mais um passo para aumentar a pressão sobre o regime comunista que governa a ilha há mais de seis décadas, o governo do presidente Donald Trump confirmou ontem, uma nova rodada de sanções contra o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, membros de sua família e parentes diretos da dinastia Castro.
As medidas foram divulgadas pelo Departamento do Tesouro americano e atingem figuras consideradas centrais na manutenção do aparato político e repressivo do regime cubano. Entre os alvos estão a esposa de Díaz-Canel, além de Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro, e Raúl Alejandro Castro, neto do antigo líder cubano.
Washington também incluiu na lista de sanções outras autoridades ligadas ao governo da ilha e entidades consideradas fundamentais para a sustentação do regime, entre elas o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.
A nova ação ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois países. Nos últimos meses, a administração Trump intensificou as críticas ao governo cubano, ampliando sanções econômicas e políticas contra autoridades acusadas de participar da repressão interna e de violações de direitos humanos.
Díaz-Canel, que assumiu o poder em 2018 sucedendo Raúl Castro, tornou-se o rosto mais visível da continuidade do modelo político implantado pelos irmãos Fidel e Raúl Castro após a revolução de 1959. Embora apresentado oficialmente como uma nova geração de liderança, seu governo tem sido marcado pela manutenção da estrutura de partido único, pela repressão à oposição e pela ausência de eleições livres.
O presidente cubano já havia sido alvo de sanções americanas após a repressão aos protestos populares de 2021, quando milhares de cubanos foram às ruas exigir liberdade política, melhores condições de vida e o fim do regime comunista. A resposta das autoridades resultou em prisões em massa, condenações severas e denúncias de perseguição a dissidentes.
No mês passado, Washington já havia sancionado outras autoridades cubanas, incluindo integrantes do setor militar, da inteligência e do Ministério das Comunicações, ampliando o cerco contra a estrutura de poder instalada em Havana.
Outro ponto que continua alimentando tensões entre os dois países envolve acusações históricas contra Raúl Castro relacionadas ao episódio de 1996, quando aeronaves civis de um grupo de exilados cubanos foram derrubadas por caças da força aérea da ilha, causando a morte de quatro pessoas.
Ao comentar a política para Cuba, Trump afirmou que deseja ver o país “bem administrado”, mas reforçou que os Estados Unidos continuarão adotando medidas contra aqueles que considera responsáveis pela repressão ao povo cubano.
As novas sanções representam mais um capítulo da estratégia americana de enfraquecer a estrutura política e financeira da ditadura cubana, em um momento em que a ilha enfrenta uma das mais graves crises econômicas de sua história recente. Escassez de alimentos, apagões frequentes, colapso dos serviços públicos e crescente insatisfação popular têm aumentado a pressão interna sobre um regime que permanece no poder há mais de seis décadas sem permitir eleições democráticas livres.
Enquanto Havana ainda não respondeu oficialmente às novas medidas, Washington sinaliza que a pressão sobre a cúpula cubana está longe de terminar.




