EUA realiza primeiro exercício militar em Caracas após queda de Maduro
Operação marca nova fase da presença americana na Venezuela e reforça o processo de reorganização do país após o fim do regime chavista.
Os Estados Unidos realizaram neste sábado, 23 de maio, o primeiro exercício militar em território venezuelano desde a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em janeiro deste ano. A atividade ocorreu sobre Caracas, capital do país, e contou com aeronaves militares, embarcações americanas e a presença do comandante do Comando Sul dos EUA, general Francis Donovan.
O exercício foi oficialmente apresentado como um treinamento voltado à resposta rápida em situações de emergência médica e desastres naturais. Duas aeronaves MV-22B Osprey pousaram nas proximidades da embaixada americana, enquanto embarcações dos Estados Unidos realizaram operações em águas venezuelanas no Mar do Caribe. A ação foi autorizada pelo atual governo venezuelano.
Apesar da justificativa oficial, a operação possui um peso político que vai muito além do treinamento militar. Trata-se da primeira demonstração pública da presença das forças americanas na Venezuela desde a queda do regime de Nicolás Maduro, encerrando um capítulo que marcou mais de duas décadas de autoritarismo, perseguição política e destruição econômica.
A captura de Maduro, ocorrida em janeiro, alterou profundamente o cenário político da América Latina. Durante anos, o chavismo transformou a Venezuela em símbolo da degradação institucional promovida pelos regimes socialistas da região. O país acumulou hiperinflação, escassez de alimentos, colapso dos serviços públicos, repressão sistemática contra opositores e uma das maiores crises migratórias da história do continente.
Desde a mudança de governo, Caracas passou a estreitar relações com Washington e iniciou um processo de abertura econômica que inclui a participação de empresas americanas em setores estratégicos, especialmente petróleo e mineração. O objetivo declarado é recuperar uma economia devastada por décadas de controle estatal, corrupção e isolamento internacional.
A presença do general Francis Donovan em Caracas também foi interpretada como um sinal claro de que os Estados Unidos pretendem acompanhar de perto a transição venezuelana. Embora não exista anúncio de novas operações militares, o exercício demonstra que Washington busca consolidar sua influência no processo de estabilização do país.
Para muitos venezuelanos, a cena de aeronaves americanas sobrevoando Caracas representa uma mudança histórica. Durante anos, o regime chavista construiu sua narrativa política com base no antagonismo permanente aos Estados Unidos, utilizando o discurso antiamericano como instrumento de mobilização ideológica e justificativa para seus fracassos internos. Hoje, a presença americana ocorre com autorização oficial do próprio governo venezuelano.
Mais do que um simples exercício militar, a operação simboliza a profunda transformação pela qual a Venezuela atravessa. O país que durante décadas foi governado por uma das ditaduras mais influentes da América Latina tenta reconstruir suas instituições, recuperar sua economia e restabelecer relações com o mundo ocidental. O sobrevoo das aeronaves americanas sobre Caracas não é apenas uma manobra militar. É um retrato de uma nova realidade política que, até poucos meses atrás, parecia impossível.



