BRASÍLIA, 10 de setembro de 2026 — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, interveio diretamente nesta quarta-feira na crise institucional da Corte ao retirar o inquérito das fake news da relatoria de Alexandre de Moraes, revogar as decisões liminares conflitantes sobre o comando da Polícia Federal e pautar para o plenário físico o pedido de investigação criminal contra o próprio Moraes.
O julgamento presencial que decidirá se a PF receberá autorização judicial para investigar Moraes ocorrerá na próxima terça-feira, 15 de setembro. Caberá à totalidade dos onze ministros do tribunal deliberar sobre os indícios extraídos de mensagens do telefone celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apontados pelo ministro André Mendonça.
Em seu despacho, Fachin justificou a intervenção afirmando ter o dever institucional de zelar pela integridade do tribunal e ressaltou que centralizou sob a condução da presidência todos os procedimentos cruzados de apuração entre os magistrados. “Quando notícias e fatos aventados possam lançar dúvida sobre a higidez de seu funcionamento, é dever e de interesse de todos e de cada um dos membros deste Tribunal esclarecer o que se passou e, no limite, imputar responsabilidades”, declarou.
Para estancar a guerra jurídica interna, o presidente da Corte adotou um pacote de medidas imediatas:
Suspensão de ordens sobre a PF: Cassou tanto a medida cautelar de Mendonça que havia afastado o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, quanto a liminar de Flávio Dino expedida mais cedo que o reconduzia ao posto, mantendo o delegado na chefia da força sob tutela da presidência do STF.
Destituição em inquérito: Retirou a relatoria do inquérito das fake news de Moraes, procedimento aberto em 2019 no qual o magistrado havia requerido apuração contra Mendonça por abuso de autoridade com base em relatórios apócrifos de inteligência.
Deliberação plenária: Levou ao colegiado a petição em que Mendonça cobra providências formais sobre os diálogos mantidos entre Moraes e Vorcaro.
A iniciativa de Fachin ocorre após dias de conflagração deflagrados pela quebra de sigilo sobre as mensagens do Banco Master, a qual gerou contra-ataques com relatórios de inteligência policial, acusações mútuas de desvio de poder e decisões monocráticas contraditórias que paralisaram as sessões do tribunal.



