Filiação de Flávio Bolsonaro: a fraude foi feita com autorização do partido Missão
Relatório da própria legenda mostra que cadastro com CPF, nascimento e endereço falsos foi convertido automaticamente em filiação gratuita e enviado ao sistema eleitoral
BRASÍLIA, 14 de agosto de 2026 — Uma operação realizada com credenciais partidárias — e não uma invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral — inseriu Flávio Bolsonaro no partido Missão sem a autorização dele, cancelou automaticamente sua filiação ao PL e impediu, por algumas horas, o registro de sua candidatura.
Segundo a manifestação pública do Tribunal Superior Eleitoral, houve “uso indevido da ferramenta” por alguém que possuía as credenciais da legenda necessárias para efetivar filiações. A afirmação delimita o caminho usado para a fraude, mas não identifica a pessoa que operou a conta nem esclarece como ela obteve o acesso.
Isso significa que, até o momento, não é possível afirmar que um dirigente ou funcionário do Missão tenha realizado pessoalmente a filiação. As credenciais podem ter sido usadas por um operador autorizado, compartilhadas indevidamente ou comprometidas fora da infraestrutura do TSE. A autoria deverá ser determinada pelos registros de acesso e pelo inquérito requisitado à Polícia Federal.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, concedeu uma medida urgente para excluir o vínculo com o Missão, restabelecer a filiação de Flávio ao PL desde 30 de novembro de 2021 e liberar o acesso da campanha ao CANDex, sistema utilizado para o registro de candidaturas. Também determinou a preservação dos logs, a abertura de investigação policial e a comunicação do caso à Procuradoria-Geral Eleitoral. A decisão consta da Petição Cível nº 0601528-06.2026.6.00.0000.






