Fim da escala 6x1 é aprovado na Câmara
Após aprovação de maioria esmagadora na Câmara, texto seguirá para o Senado
BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira a PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para folgar um. O texto foi aprovado com ampla maioria em dois turnos e agora segue para o Senado.
No primeiro turno, a proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos a favor e apenas 19 contra.
A resistência à PEC ficou concentrada principalmente entre deputados do PL e do Novo, além de parlamentares do MDB, União Brasil, PSD, PP e Missão. A mudança irá aumentar drasticamente os custos operacionais de empresas, sobretudo em setores como restaurantes, comércio, hotelaria e serviços.
Entre os deputados que votaram contra o fim da escala 6x1 no primeiro turno estavam:
PL:
Bibo Nunes, Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Julia Zanatta, Mauricio Marcon, Nicoletti, Paulo Marinho Jr., Ricardo Guidi, Rosangela Moro e Zé Trovão.
Novo:
Adriana Ventura, Gilson Marques, Marcel van Hattem e Ricardo Salles.
MDB:
Carlos Chiodini e Pezenti.
União Brasil:
Fabio Schiochet e Fausto Pinato.
PSD:
Lucas Redecker.
PP:
Sérgio Turra.
Missão:
Kim Kataguiri.
No segundo turno, Paulo Marinho Jr. e Zé Trovão estiveram ausentes, enquanto Fausto Pinato mudou o voto e passou a apoiar a proposta.
E como ficaria a situação de trabalhadores como garçons diante da nova escala? O impacto iria além do trabalhador individual e atingiria toda a estrutura operacional dos restaurantes.
Empresas teriam de criar equipes adicionais para cobrir folgas, aumentando custos num momento em que muitos setores já enfrentam escassez de mão de obra. Pequenas e médias empresas irão sofrer pressão financeira significativa para manter funcionamento contínuo sem reduzir atendimento.
As falácias
Já os defensores da PEC afirmam que a escala 6x1 provoca desgaste físico e mental excessivo, reduz qualidade de vida e compromete relações familiares. Eles sustentam que jornadas menores podem elevar produtividade, diminuir adoecimento e aproximar o Brasil de modelos adotados em países desenvolvidos. Quais países? Eles não falam.
O texto aprovado prevê transição gradual de até 14 meses, sem redução salarial, além de permitir acordos coletivos específicos para determinadas categorias.
O texto foi aprovado na Câmara e agora segue para o Senado.



