Irã utiliza TV para ensinar a manusear fuzis
O Irã começa a preparar psicologicamente sua população para um conflito que pode ultrapassar fronteiras e transformar o Oriente Médio
IRÃ - 18 de maio de 2026 — A televisão estatal iraniana começou a exibir programas ensinando civis a manusear fuzis AK 47, desmontar armamentos, carregar munição e até realizar disparos.
Em ao menos três canais da televisão iraniana, apresentadores apareceram ao lado de militares demonstrando como operar rifles Kalashnikov. Em uma das gravações mais compartilhadas, um integrante da Guarda Revolucionária ensina detalhadamente um apresentador a abastecer o pente, destravar a arma e disparar. Em outro programa, uma apresentadora surge segurando um fuzil diante das câmeras enquanto afirma estar pronta para defender o Irã caso necessário.
A imprensa internacional tratou o episódio como possível preparação psicológica da população para uma escalada militar envolvendo Estados Unidos e Israel, e talvez seja exatamente isso.
Regimes autoritários raramente produzem propaganda dessa natureza sem objetivo estratégico. Quando uma ditadura começa a transformar televisão aberta em treinamento paramilitar simbólico, o sinal emitido não é apenas militar. É político, psicológico e civilizacional.
O regime iraniano entende que sua estabilidade interna atravessa uma fase extremamente delicada.
Nos últimos meses, protestos massivos, repressão violenta, desgaste econômico e crescente isolamento internacional corroeram ainda mais a legitimidade da República Islâmica diante da própria população. Parte significativa dos iranianos já não enxerga o regime dos aiatolás como representante nacional legítimo, mas como uma estrutura opressiva sustentada por censura, violência e controle religioso radicalizado.
E é exatamente nesses momentos que regimes revolucionários recorrem ao mecanismo mais antigo de sobrevivência política: a mobilização permanente através do medo externo.
A lógica é simples. Quando a população começa a questionar o poder internamente, cria-se um ambiente de guerra permanente para reconstruir unidade emocional ao redor do Estado.
A televisão iraniana ensinando civis a usar fuzis não representa apenas preparação militar improvisada. Representa tentativa de reconstrução psicológica de lealdade coletiva.
O problema é que essa estratégia também revela fraqueza.
Governos seguros de sua legitimidade não precisam transformar apresentadores em instrutores armados diante das câmeras. Não precisam convencer civis de que todos devem estar preparados para o combate. Não precisam militarizar o cotidiano da população para preservar autoridade.
Isso costuma acontecer quando o próprio regime percebe que sua sustentação política começa a depender cada vez menos de convicção popular e cada vez mais de coerção.
Existe ainda outro elemento importante nessa história.
O Irã não opera isoladamente. Sua estrutura de influência regional envolve milícias armadas, grupos terroristas aliados, redes de financiamento clandestino e operações indiretas espalhadas pelo Oriente Médio. Qualquer escalada envolvendo Teerã possui potencial para atingir rotas marítimas globais, mercados energéticos internacionais e estabilidade regional em larga escala.
O Estreito de Ormuz, controlado parcialmente pela influência iraniana, continua sendo uma das regiões mais estratégicas do planeta para o fluxo mundial de petróleo. Segundo relatos recentes, as negociações envolvendo a segurança marítima na região permanecem travadas enquanto episódios de ataques e captura de embarcações ampliam a tensão militar.
E é justamente nesse contexto que a propaganda armamentista ganha outro significado.
O regime iraniano parece querer comunicar simultaneamente duas mensagens: para fora, sinaliza disposição de resistência; para dentro, tenta convencer a população de que sobrevivência nacional exige mobilização coletiva.
Historicamente, regimes revolucionários utilizam exatamente esse mecanismo quando sentem aproximação de momentos críticos. O inimigo externo passa a justificar militarização interna, controle social ampliado e endurecimento político.
A questão é que a população iraniana já demonstra sinais claros de fadiga diante dessa lógica.
Os protestos recentes no país revelaram algo que talvez assuste mais o regime do que qualquer ameaça militar estrangeira: milhões de iranianos perderam o medo psicológico da própria ditadura.
E quando uma população deixa de acreditar emocionalmente no sistema que a governa, regimes autoritários costumam entrar em sua fase mais perigosa.
Porque é justamente nesse momento que propaganda, repressão e militarização passam a substituir legitimidade.




Mas lembrem-se que o Irã também faz muita coisa errada.
... não vejo dessa forma que escreveram... é uma nação de cultura firme e unida com seu povo, que defende o seu território da pirataria americana e de israel, que querem saquear as riquezas do subsolo iraniano!!!... basta olhar no mapa para ver quem saiu de longe, para ir atacar outra região??!... kkk