Justiça italiana questiona imparcialidade de Moraes no caso Carla Zambelli
Corte de Apelação da Itália aponta possível violação ao direito de defesa e considera incompatível a participação de Alexandre de Moraes como relator de processo
ITÁLIA, 12 de junho de 2026 — A Corte de Apelação da Itália apresentou duras críticas ao processo que resultou na condenação da ex-deputada federal Carla Zambelli no Brasil e utilizou esses argumentos para autorizar que ela responda em liberdade enquanto aguarda a decisão definitiva sobre seu pedido de extradição.
O documento, obtido pela imprensa brasileira, sustenta que existem dúvidas relevantes sobre a imparcialidade do julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal e menciona diretamente a atuação de Alexandre de Moraes no caso.
Segundo os magistrados italianos, a participação de Moraes como relator do processo ao mesmo tempo em que era apontado como uma das pessoas afetadas pelos fatos investigados levanta questionamentos sobre a independência necessária para a condução do julgamento.
A decisão destaca que Moraes exerceu múltiplas funções ao longo do procedimento, atuando na condução do processo, na decretação da prisão, no pedido de extradição e na prestação de informações às autoridades estrangeiras. Para a Corte italiana, essa concentração de atribuições pode comprometer a percepção de neutralidade exigida em sistemas democráticos de justiça.
O texto cita entendimentos consolidados na jurisprudência europeia segundo os quais a imparcialidade judicial pode ser colocada em dúvida quando o mesmo magistrado acumula funções distintas dentro de uma mesma ação penal.
Os juízes italianos afirmam que essa circunstância representa um obstáculo relevante ao pedido de extradição formulado pelo Brasil e apontam possível violação ao direito a um julgamento justo.
A análise da Corte concentrou-se especialmente na condenação relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso em que Zambelli foi sentenciada por sua suposta participação na inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão fraudulento contra o próprio Moraes.
Com a decisão, o futuro da extradição passa agora para a esfera política. A palavra final caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável por decidir se acolhe ou não o pedido formal apresentado pelas autoridades brasileiras.
Enquanto aguarda o desfecho do processo em território italiano, Zambelli permanece em Roma.



