Keiko Fujimori volta à liderança na apuração e reacende esperança de vitória da direita no Peru
Candidata conservadora retoma a dianteira por margem mínima sobre o esquerdista Roberto Sánchez em uma das eleições mais disputadas da história recente do país
PERU, 11 de junho de 2026 — A disputa presidencial no Peru ganhou mais um capítulo dramático nesta quinta-feira (11). Com mais de 98% das urnas apuradas, a candidata conservadora Keiko Fujimori voltou a assumir a liderança sobre o deputado de esquerda Roberto Sánchez, em uma corrida marcada por sucessivas viradas e uma diferença de apenas algumas centenas de votos.
Segundo os números mais recentes da autoridade eleitoral peruana, Keiko aparece com 50,002% dos votos válidos, contra 49,998% de Sánchez. A vantagem é de apenas 651 votos, mantendo o resultado totalmente em aberto.
A recuperação da candidata da direita ocorreu principalmente graças à apuração dos votos dos peruanos residentes no exterior, onde Keiko mantém ampla vantagem. Entre os eleitores que vivem fora do país, ela recebeu mais de 63% dos votos, enquanto Sánchez ficou com cerca de 36%.
A lentidão da contagem tem sido uma característica recorrente das eleições peruanas. O país utiliza cédulas de papel e possui zonas eleitorais de difícil acesso, além de um grande contingente de eleitores vivendo no exterior. As autoridades eleitorais já alertaram que o resultado oficial definitivo ainda pode levar dias para ser confirmado.
A trajetória da apuração reflete o equilíbrio extremo entre os dois candidatos. Logo após o fechamento das urnas, Keiko abriu vantagem confortável. Com o avanço da contagem dos votos das regiões rurais, tradicionalmente mais favoráveis à esquerda, Roberto Sánchez ultrapassou a candidata conservadora. Agora, com a chegada dos votos do exterior, o cenário voltou a mudar.
A eleição ocorre em um momento de profunda crise institucional no Peru. O país teve nove presidentes em apenas dez anos, em um ambiente de instabilidade política, sucessivas crises de governabilidade e crescente desconfiança popular nas instituições.
Pesquisas recentes mostram que a confiança dos peruanos no Congresso e no governo permanece em níveis historicamente baixos. A insatisfação com o sistema político tradicional abriu espaço para uma disputa marcada pela polarização entre projetos distintos para o futuro do país.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputa a Presidência pela quarta vez e busca finalmente romper a sequência de derrotas em segundos turnos ocorridas em 2011, 2016 e 2021. Sua eventual vitória seria interpretada por aliados como um sinal de retomada das forças conservadoras no Peru após anos de instabilidade política e avanço da esquerda em parte da América Latina.
Com a diferença mínima registrada até o momento, qualquer voto contabilizado nas próximas horas poderá alterar novamente o resultado, mantendo o país em suspense enquanto aguarda a definição de uma das eleições mais apertadas de sua história recente.




