Lula acelera ofensiva para capturar mais uma cadeira no Supremo
A articulação por Jorge Messias expõe novamente o aparelhamento político sobre as instituições da República
BRASÍLIA, 19 de maio de 2026 — A movimentação articulada nos bastidores de Brasília para recolocar o nome de Jorge Messias no radar do Supremo Tribunal Federal expôs mais uma vez a lógica de aparelhamento permanente que domina o regime que domina o Brasil. Segundo informações publicadas por aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre teria demonstrado estranhamento diante da pressão renovada para emplacar o atual advogado geral da União numa futura vaga do STF.
E o motivo do desconforto é simples: Brasília inteira sabe que não se trata de mérito jurídico, mas de controle político.
O petismo nunca enxergou o Supremo como uma instituição de equilíbrio constitucional. O projeto sempre foi outro: ocupar espaços estratégicos do Estado com figuras ideologicamente alinhadas ao poder político do PT. O objetivo não é fortalecer a independência entre Poderes. É justamente dissolver essa independência até que Executivo, Judiciário e setores da máquina pública passem a funcionar como extensão de um mesmo projeto de poder.
Jorge Messias virou símbolo disso.
Sua trajetória não é marcada por produção jurídica extraordinária, por notável saber reconhecido nacionalmente ou por uma carreira que imponha respeito técnico incontestável. O que o tornou figura central do governo foi sua fidelidade política ao lulismo e sua atuação como operador jurídico dos interesses do Palácio do Planalto.
O episódio mais emblemático continua impossível de esquecer.
Foi Jorge Messias quem apareceu carregando o termo de posse que tentava transformar Lula em ministro da Casa Civil no auge da Lava Jato, numa operação política vista por milhões de brasileiros como tentativa explícita de blindagem judicial. O apelido “Bessias”, herdado daquele episódio, nunca desapareceu porque simboliza exatamente a percepção pública construída ali: a de um operador político tentando usar estruturas do Estado para proteger interesses partidários.
Agora o nome volta a circular para o STF em meio a novas articulações de bastidor.
E é aqui que a situação se torna ainda mais grave.
Porque a Constituição brasileira estabelece critérios objetivos para nomeação ao Supremo, incluindo reputação ilibada e notável saber jurídico. O problema é que o presidencialismo brasileiro transformou o processo numa negociação essencialmente política, onde presidentes escolhem ministros alinhados ideologicamente para exercer influência de longo prazo sobre a Corte.
O PT elevou essa lógica a um novo patamar.
O partido não busca apenas afinidade institucional. Busca proteção estrutural.
Depois dos escândalos do mensalão, do petrolão, da Lava Jato e da erosão crescente da popularidade de Lula, tornou se estratégico para o governo ampliar ao máximo sua influência sobre tribunais superiores. O STF deixou de ser visto apenas como guardião constitucional e passou a ser tratado como peça central de sobrevivência política do sistema.
É por isso que qualquer movimentação envolvendo futuras cadeiras da Corte produz tensão imediata em Brasília.
A indicação de ministros do Supremo não define apenas interpretações jurídicas futuras. Define equilíbrio de poder, proteção institucional, sobrevivência política e capacidade de influência sobre investigações, eleições e crises nacionais.
E talvez seja justamente por isso que aliados de Alcolumbre tenham tratado o movimento como “estranho”.
Porque existe uma percepção crescente dentro do próprio sistema político de que o governo Lula tenta operar permanentemente no limite institucional para consolidar controle sobre estruturas que deveriam permanecer independentes.
O problema é que o brasileiro comum já começou a perceber essa dinâmica.
A sensação crescente no país é a de que as instituições deixaram de funcionar como mecanismos neutros de equilíbrio democrático e passaram a operar segundo interesses seletivos de grupos políticos específicos. Quando decisões jurídicas parecem acompanhar conveniências ideológicas, a confiança pública nas instituições começa lentamente a se deteriorar.
E confiança institucional é algo muito mais difícil de recuperar do que de destruir.
O mais perverso é que toda essa movimentação ocorre enquanto o discurso oficial continua falando em “defesa da democracia”, “respeito às instituições” e “harmonia entre os Poderes”.
Mas não existe harmonia institucional verdadeira quando um governo trabalha obsessivamente para ampliar influência sobre todas as estruturas de controle da República.
Existe concentração de poder.
E toda vez que um sistema político começa a tratar tribunais superiores como extensão de projetos partidários, o país se aproxima perigosamente de um modelo onde a Justiça deixa de servir à Constituição para servir à conveniência do poder de turno.



