Lula gasta R$ 80 milhões para promover fim da escala 6×1
Campanha financiada com recursos públicos transformou a redução da jornada de trabalho em uma das principais bandeiras políticas do governo
BRASÍLIA, 30 de maio de 2026 — Em meio à corrida pela reeleição, Lula decidiu apostar pesado em uma das pautas mais simbólicas de sua estratégia política para 2026: o fim da escala 6×1. A proposta, apresentada pelo regime como uma defesa dos trabalhadores, recebeu um impulso milionário da estrutura federal, com cerca de R$ 80 milhões destinados à divulgação da medida em campanhas institucionais.
A ofensiva ocorre em um momento em que o Palácio do Planalto tenta recuperar apoio popular e reposicionar o discurso tradicional do PT junto às classes trabalhadoras. A proposta aprovada pela Câmara prevê a substituição da escala 6×1 pelo modelo 5×2, mantendo os salários atuais. O texto ainda precisa passar pelo Senado.
Nos bastidores de Brasília, porém, cresce a avaliação de que Lula transformou a pauta em uma ferramenta eleitoral financiada pelo contribuinte. Além da ampla campanha publicitária, Lula tem utilizado discursos, entrevistas e redes sociais para associar a proposta à imagem de um governo que estaria supostamente ampliando direitos trabalhistas.
A oposição reagiu. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político do grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro, acionou o Tribunal de Contas da União para pedir investigação sobre o uso da publicidade oficial em defesa da proposta. O argumento é que recursos públicos não podem ser utilizados para promover uma bandeira diretamente associada ao projeto eleitoral de Lula.
A discussão vai além da jornada de trabalho. Críticos do governo apontam que a campanha em torno da escala 6×1 faz parte de um pacote mais amplo de medidas voltadas à construção de uma narrativa eleitoral para 2026. Nos últimos meses, o Planalto ampliou programas sociais, anunciou benefícios setoriais e intensificou ações de comunicação voltadas a públicos específicos.
Enquanto Lula apresenta a proposta como um avanço social, especialistas do setor produtivo alertam para possíveis impactos econômicos, especialmente sobre pequenas e médias empresas, que podem enfrentar aumento de custos operacionais sem ganho proporcional de produtividade.
O tema promete se tornar um dos principais campos de batalha da próxima eleição presidencial. De um lado, Lula tenta reconstruir a narrativa histórica do PT como defensor dos trabalhadores. Do outro, a oposição busca expor o uso da estrutura estatal para impulsionar uma pauta que, cada vez mais, se confunde com a campanha pela permanência do presidente no poder.
A votação no Senado será o próximo teste político. Mais do que uma discussão trabalhista, a proposta já se transformou em símbolo da disputa eleitoral antecipada que domina Brasília.



