Material radioativo no IPEN entra na mira da ANSN
Caso envolvendo possível contaminação nuclear em instituto da USP se soma a novo pedido de investigação sobre uso de recursos do Conselho Federal de Medicina
BRASÍLIA, 12 de junho de 2026 — Uma denúncia de possível contaminação por material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), dentro da Universidade de São Paulo (USP), passou a ser investigada pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), ampliando a pressão sobre órgãos federais responsáveis pela fiscalização de atividades sensíveis no país.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de informações indicando que a ANSN abriu apuração para esclarecer os fatos. O IPEN é uma das principais instituições brasileiras ligadas à pesquisa nuclear e à produção de radiofármacos utilizados em hospitais de todo o país.
Até o momento, não há confirmação oficial de contaminação nem informações indicando risco à população. A investigação busca justamente determinar se houve incidente, qual sua extensão e se os protocolos de segurança foram observados.
A notícia surge em um momento de crescente questionamento sobre transparência em órgãos públicos e entidades de interesse nacional.
No mesmo dia, uma representação formal foi protocolada no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a apuração de supostas irregularidades envolvendo o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiram Gallo.
O protocolo registrado sob o número 80.501.546-9 foi apresentado por Isabel de Fátima Alvim Braga e solicita a abertura de sindicância para investigar viagens realizadas a Portugal com recursos do conselho.
Segundo o documento encaminhado ao tribunal, há suspeita de que deslocamentos internacionais teriam sido custeados pelo CFM para atividades acadêmicas particulares, sem relação direta com funções institucionais da autarquia.
A representação pede ainda eventual devolução de valores, comunicação ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal e, de forma cautelar, o afastamento do presidente do conselho durante as investigações.
O TCU ainda não decidiu sobre a admissibilidade da denúncia.
Como ocorre em qualquer procedimento dessa natureza, o protocolo da representação não constitui reconhecimento de irregularidade nem implica culpa dos citados. A função do tribunal será justamente verificar se existem elementos suficientes para abertura de processo de fiscalização.
Enquanto isso, tanto a investigação sobre o IPEN quanto a denúncia envolvendo o CFM colocam sob os holofotes duas instituições de grande relevância nacional: uma ligada à segurança nuclear brasileira e outra responsável pela regulamentação da atividade médica no país.



