Mendonça intensifica investigações do Master e INSS sob pressão crescente dentro do STF
Relator dos dois maiores escândalos em apuração no país amplia operações da PF enquanto cresce a disputa nos bastidores sobre os rumos das investigações
BRASÍLIA, 1º de junho de 2026 — O ministro André Mendonça intensificou nas últimas semanas o avanço das investigações envolvendo dois dos maiores escândalos atualmente em apuração no país: o caso do Banco Master e o esquema bilionário de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões do INSS.
O movimento ocorre em meio a uma crescente tensão nos bastidores de Brasília, onde as investigações passaram a atingir personagens influentes da política, do sistema financeiro e até figuras com conexões relevantes dentro do próprio ambiente institucional.
Desde que assumiu a relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal, Mendonça autorizou sucessivas fases da Operação Compliance Zero, responsável por bloqueios bilionários, prisões preventivas, buscas e apreensões e novas frentes de investigação espalhadas por diversos estados.
As apurações passaram a alcançar políticos de peso, operadores financeiros, empresários e personagens ligados ao núcleo de decisões que permitiram a expansão do Banco Master nos últimos anos. A Polícia Federal também investiga possíveis relações entre estruturas financeiras do banco e outros esquemas sob investigação.
Paralelamente, Mendonça também mantém sob sua supervisão o inquérito que apura os desvios bilionários envolvendo aposentados e pensionistas do INSS. Novas fases da Operação Sem Desconto ampliaram o cerco contra associações suspeitas de realizar cobranças irregulares sobre benefícios previdenciários, atingindo entidades em diferentes estados do país.
Nos bastidores do Supremo, porém, cresce a percepção de que as investigações passaram a produzir desconforto em setores influentes do sistema político e institucional.
Ao longo dos últimos meses, decisões de Mendonça passaram a receber críticas públicas e reservas internas de outros ministros da Corte. Questionamentos sobre fundamentos utilizados em algumas medidas cautelares e divergências sobre os rumos das apurações revelaram uma disputa cada vez mais visível dentro do próprio STF.
O caso ganhou ainda mais sensibilidade diante das conexões reveladas ao longo das investigações. Conversas, contratos, relações empresariais e movimentações financeiras passaram a aproximar o escândalo de figuras relevantes do cenário político nacional, aumentando a pressão sobre os responsáveis pela condução dos inquéritos.
A tensão também envolve a Polícia Federal.
Mudanças internas em setores responsáveis pelas investigações do INSS geraram preocupação entre investigadores e provocaram reação do próprio Mendonça, que decidiu acompanhar mais de perto alterações consideradas sensíveis para o andamento das apurações.
Outro fator que elevou a temperatura nos bastidores foi a discussão em torno de possíveis acordos de colaboração premiada envolvendo personagens centrais do caso Master. A possibilidade de delações atingirem nomes influentes da política e do sistema de poder em Brasília ampliou as especulações sobre tentativas de contenção dos danos institucionais provocados pelo escândalo.
Para aliados de Mendonça, a estratégia do ministro tem sido acelerar diligências e consolidar provas antes que disputas jurídicas ou questionamentos processuais possam comprometer o avanço das investigações.
O receio é que operações de grande alcance acabem enfrentando, mais adiante, o mesmo destino de outros casos de corrupção que produziram forte impacto político, mas terminaram enfraquecidos por batalhas processuais, revisões judiciais e disputas internas entre instituições.
Com novas fases das operações já em preparação, o caso Master e o escândalo do INSS caminham para se consolidar como dois dos maiores testes institucionais enfrentados pelo Supremo, pela Polícia Federal e pelo sistema de Justiça nos próximos meses.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que o avanço das investigações entrou em uma fase decisiva, justamente quando as pressões políticas e institucionais parecem aumentar na mesma velocidade.



