RIO DE JANEIRO, 5 de outubro de 2026 — Avalanche não faz barulho quando começa.
Ela nasce em silêncio, floco sobre floco, numa encosta que parece parada. Quem olha de longe só enxerga a montanha branca, tranquila, igual a ontem. O estrondo vem depois. E quando ele chega, já não há o que segurar.
Foi nisso que pensei na noite de domingo, com a tela da apuração aberta e o café esfriando ao lado do teclado.
A noite em que o mapa mudou de cor
Os primeiros boletins chegaram tímidos. Um estado aqui, outro ali. Nada que tirasse alguém da cadeira.
Até que o padrão começou a se repetir.
Santa Catarina: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, as duas vagas para o PL. Distrito Federal: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, as duas para o PL. Depois Rio de Janeiro, com Carlos Portinho e Carlos Jordy. Depois Mato Grosso do Sul. Depois Rondônia.
Em algum momento parei de anotar nomes e passei a contar cadeiras. Era a encosta inteira descendo.
O Senado de cabeça para baixo
Quando a poeira de neve baixou, o número no Senado era este: o PL sai de 15 e chegará a 28 senadores.
Foram 19 eleitos numa única eleição. Nenhum partido tinha feito isso desde a Constituição de 1988.
E o PT? Fica com 9.
Faça o exercício de imaginar o plenário. De cada três senadores que se levantarem para votar em 2027, um será do PL. Na Casa que sabatina ministros do Supremo, julga impeachment e dá a palavra final sobre boa parte das leis do país, a conta passa a ser 28 contra 9.
E tem um dado que, para mim, resume tudo. Segundo a Agência Senado, o PL começará a próxima legislatura com a maior bancada partidária do Senado no início de uma legislatura desde 1988. Isso não é adjetivo de campanha. É linha de livro de história.
Na Câmara, a neve não parou
Desci os olhos para a Câmara esperando um terreno mais firme, um equilíbrio que segurasse a descida. Não encontrei.
O PL salta de 98 para 121 deputados federais, a maior bancada de uma única legenda desde a redemocratização.
O PT até que cresce. Timidamente vai de 64 para 70. Mas enquanto um sobe um degrau, o outro sobe um andar inteiro de vantagem.
121 contra 70.
Nos estados, o estrondo ficou mais alto
Se havia alguma dúvida, as Assembleias Legislativas trataram de desfazê-la.
O PL dispara de 126 para 164 deputados estaduais e distritais.
O PT faz o caminho inverso: cai de 118 para 112.
Não são duas curvas diferentes num mesmo gráfico. São duas setas apontando para lados opostos.
E nos governos estaduais, o PL tinha apenas 2. Já garantiu 5 no primeiro turno, com nomes como Sergio Moro no Paraná e Arthur Henrique em Roraima, e ainda tem segundo turno pela frente.
O que muda quando a neve assenta
Coloque os três números lado a lado e o desenho aparece sozinho.
Senado: 28 contra 9.
Câmara: 121 contra 70.
Assembleias: 164 contra 112.
Não foi uma vitória localizada, de um estado ou de uma região. Foi uma mudança expressiva na correlação de forças do Legislativo brasileiro, de Brasília às capitais.
Estou a quase trinta anos dentro da administração pública e aprendi uma lição que nenhum manual ensina direito: governo nenhum governa sozinho. Quem aprova orçamento, derruba veto, convoca ministro e abre CPI é o Parlamento. No domingo, o eleitor não trocou apenas nomes. Ele redesenhou quem segura a caneta do outro lado da Praça dos Três Poderes.
É por isso que a expressão “Avalanche Bolsonarista” é tão apropriada. Não por exagero de manchete. Porque os números estão, de fato, fora da curva.
A montanha depois do estrondo
Em 2018, o país inteiro falou em tsunami. Oito anos depois, a comparação voltou à mesa, agora com Flávio Bolsonaro e Lula frente a frente no segundo turno presidencial.
Há, porém, uma diferença entre a onda e a avalanche. A onda bate e recua. A avalanche muda o desenho da montanha, e quem desce depois dela encontra outro caminho.
É isso que Brasília vai encontrar em fevereiro de 2027. Outro caminho, escrito no tamanho das bancadas.
Cada floco tinha um nome
E aqui eu preciso dizer o que penso, sem rodeio.
Essa avalanche não caiu do céu por acaso. Ela foi sendo acumulada, floco por floco, a cada injustiça que a direita brasileira engoliu calada nos últimos anos.
Foi floco quando o Supremo anulou as condenações de Lula e devolveu ao palanque quem tinha sido condenado em três instâncias. Foi floco quando o TSE tornou Bolsonaro inelegível. Foi floco quando, em 2022, o mesmo tribunal se comportou como uma máquina intervencionista, derrubando conteúdos, silenciando perfis e decidindo o que o eleitor podia ou não ver.
Foi floco a prisão de Jair Bolsonaro, que considero totalmente injusta e absurda. Foi floco a prisão de Filipe Martins. Foi floco ver generais e militares honrados, homens que dedicaram a vida inteira ao país, tratados como criminosos. E foi floco, talvez o mais pesado de todos, ver milhares de manifestantes presos depois do 8 de janeiro, muitos deles pais e mães de família que ainda hoje cumprem pena e que eu chamo pelo nome que merecem: presos políticos.
Quem apostou que a perseguição enfraqueceria o bolsonarismo errou feio. Cada prisão, cada censura, cada decisão atravessada só fez a neve se acumular mais alto na encosta. No domingo, ela desceu.
Por isso, encerro este texto não com uma análise, mas com um desejo.
Que a direita vença. Que o bolsonarismo se consolide como a força que as urnas acabaram de mostrar que ele é. Que todos os presos políticos sejam postos em liberdade e voltem para suas casas.
E que Flávio possa cumprir a palavra que deu: receber a faixa presidencial das mãos do próprio pai.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Uma hora com o sistema paralisado deu para arranjar um 2° turno para Douglas RUAS e Flávio. Não pegaram o Cleitinho porque está no PR. Você que é um craque em TI, Rogério, examine quantos votos foram para brancos, nulos, Cury e Renan quando o sistema voltou a funcionar e Flávio começou a cair vertiginosamente.
Só espero que no SEGUNDO TURNO não haja como na eleição passada a FRAUDE
QUE ELEGEU O EXE PRESIDIÁRIO
Que o RUAS SEJA ELEITO NO RJ (Por votos do Garotinho anulados oficialmente)
Aí então com essa nova composição
SEJAM EXTIRPADOS TODOS O CORRUPTOS DO STF E ESQUERDOPATAS DO BRASIL