Ninguém Escapa Desta Carta
Bolsonaro acabou com a desculpa de todo mundo
RIO DE JANEIRO, 12 de julho de 2026 - Existem gestos na política que valem muito e são emblemáticos. A carta manuscrita de Jair Bolsonaro, lida por Flávio Bolsonaro em transmissão ao vivo, é um desses gestos. Não estamos diante de um comunicado partidário qualquer, redigido por assessores e revisado por marqueteiros. Estamos diante de um pai que, impedido de falar diretamente ao povo, escreve de próprio punho para entregar ao Brasil aquilo que tem de mais precioso.
Ele já havia dito isso com todas as letras em dezembro, na primeira carta: “Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho para a missão de resgatar o nosso Brasil”. Agora, meses depois, o recado ganhou urgência. “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro”, escreveu o ex-presidente. E completou com a frase que deveria ecoar em cada casa conservadora deste país: “Ele é meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil”.
Creio que o seu também. Leia de novo. Jair Bolsonaro não está pedindo um favor. Está fazendo uma convocação.
E aqui é preciso ter coragem para dizer o que muita gente prefere sussurrar nos bastidores: chega de silêncio. Não é mais hora de construir carreira apenas criticando Lula e o PT nas redes sociais, colhendo likes enquanto o candidato do movimento caminha sozinho. Criticar o governo é fácil. Difícil é sair da zona de conforto, subir no palanque e declarar apoio quando a guerra ainda não está ganha.
Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Marcos Pontes, Damares Alves, Tarcísio de Freitas. Cada um desses nomes chegou onde chegou porque um dia Jair Bolsonaro abriu a porta, emprestou o palanque e transferiu a confiança de milhões de brasileiros. Ninguém aqui construiu capital político no vácuo. Esse capital tem origem, tem história e tem dono: chama-se direita bolsonarista, e essa grande massa popular tem memória longa. Gratidão não é palavra bonita para discurso de posse. Gratidão é atitude, e atitude se mede na hora em que custa alguma coisa.
O próprio Flávio, ao ler a carta, foi claro ao interpretar o recado do pai: a definição do porta-voz serve justamente para evitar falas conflitantes e direções paralelas dentro da pré-campanha. Traduzindo do político para o português: acabou o tempo das candidaturas de gaveta, dos projetos pessoais disfarçados de estratégia e das declarações ambíguas para agradar a todos os lados. Como resumiu o senador, o pedido é para deixar diferenças menores de lado e combater o verdadeiro adversário do Brasil.
Sei que houve ruídos. Sei que houve mágoas, algumas delas públicas e dolorosas. Mas movimento político que se paralisa por vaidade ferida não merece governar nação nenhuma. A esquerda, que se odeia internamente como poucos, sabe se unir na hora do voto com uma disciplina que a direita ainda precisa aprender. Se em 2026 o campo conservador repetir o erro da fragmentação, não poderá culpar o sistema, a imprensa ou as urnas. A culpa será de quem recebeu a carta e fingiu que não leu.
Jair Bolsonaro está saudoso do contato com o povo, como ele mesmo escreveu. O povo também está saudoso dele. E a forma mais concreta de retribuir tudo o que esse homem representou para o Brasil é simples: fechar com Flávio, sem meias palavras, sem cálculo, sem espera estratégica. O pai entregou o filho. Agora a pergunta que fica para cada liderança da direita brasileira é uma só: você vai estar na foto quando a história for contada, ou vai entrar para ela como quem abandonou o movimento na hora da guerra?
Rogerio Pires é professor, pesquisador e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.



Perfeito. Saiam da sombra. Bora pra luz e resgatar o que nos levaram.
Esta missiva foi um ultimato ao povo brasileiro, independente de ideologias ,e seja qual for as diversidades . Para que o País ao status de Nação livre , próspera e soberana o que precisou ser feito está sendo feito, agora só depende de nós povo.