Nova delação de Vorcaro cita repasse de R$ 155 milhões a Alcolumbre
Proposta de colaboração do fundador do Banco Master, rejeitada pela Polícia Federal, menciona transferência milionária ao presidente do Senado e também cita dirigentes partidários e integrantes do PT
BRASÍLIA, 12 de junho de 2026 — A segunda proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, trouxe acusações contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo informações divulgadas pela imprensa, o documento relata um suposto repasse de US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões na cotação atual, ao parlamentar.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, os recursos teriam sido inicialmente depositados em uma conta no exterior e posteriormente transferidos a Alcolumbre como contrapartida por apoio político a interesses ligados ao Banco Master. A suposta operação teria contado com a intermediação de Augusto Lima, ex-sócio do empresário.
As alegações constam da nova tentativa de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. A proposta, no entanto, foi rejeitada pela Polícia Federal por não apresentar fatos inéditos nem elementos considerados relevantes para o avanço das investigações conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero.
Em nota divulgada após a repercussão do caso, Davi Alcolumbre negou categoricamente as acusações. O senador afirmou que jamais recebeu valores, seja no Brasil ou no exterior, e classificou as informações como falsas.
Segundo a manifestação, as acusações atingem sua honra e trajetória pública, motivo pelo qual pretende adotar medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra os responsáveis pelas declarações.
Vorcaro está preso desde março deste ano e busca negociar um acordo de colaboração com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Até o momento, as propostas apresentadas pela defesa não foram aceitas pelas autoridades.
Além de Alcolumbre, a segunda versão da delação também menciona supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia.
Rueda igualmente nega qualquer irregularidade. Embora reconheça que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master, afirma não possuir relação pessoal com Vorcaro.
O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, citado em referência a operações ligadas ao programa Credcesta na Bahia, também rejeitou as insinuações. Segundo ele, houve apenas um encontro institucional com o empresário, defendendo que todas as alegações sejam devidamente apuradas pelas autoridades competentes.
A rejeição da nova proposta de delação não impede futuras tentativas de colaboração, mas reforça a avaliação da Polícia Federal de que os elementos apresentados até agora não acrescentam informações capazes de alterar significativamente o curso das investigações.



