RIO DE JANEIRO, 14 de outubro de 2026 — “El Salvador é pouco.” A frase saiu da boca de Flávio Bolsonaro na terça-feira, 13, diante de empresários reunidos pela Associação Comercial de São Paulo, e foi seguida de um recado a quem o chama de radical: “Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública não viram nada ainda”. Em um país onde o cidadão vive aterrorizado, esconde o celular no ônibus e muda de calçada ao ver uma moto, alguém finalmente falou como quem entende o tamanho do problema.
Pense na sua rua. Quantos vizinhos já foram assaltados? Quantos já desistiram de usar o telefone em público? A insegurança virou rotina, e a rotina virou resignação. Flávio quebra essa resignação com números que cabem na conversa de padaria: mais de meio milhão de vagas em presídios, pena mínima de 8 anos para quem roubar celular, castração química e penas maiores para estupradores e abusadores de mulheres e crianças.
Comece pelas vagas. A proposta, apresentada em junho, prevê cinco presídios federais com 500 mil vagas, inspirados no modelo de El Salvador. Quem vive de assalto e facção sabe que cadeia vazia não assusta ninguém. Hoje o criminoso calcula o risco e conclui que compensa. Com vaga, regra e execução da pena, essa conta muda. E Flávio não jogou o número ao vento: em 30 de agosto, ele próprio estimou o investimento em R$ 35 bilhões a R$ 40 bilhões em quatro anos. É uma fração do que o país perde todos os anos com roubo, tráfego de drogas e dinheiro que financia o crime organizado.
Agora o celular. Para o governo Lula e para a esquerda que passou duas décadas tratando assaltante como vítima da sociedade, oito anos de pena mínima soa exagero. Para quem já entregou o aparelho sob a mira de uma arma, e perdeu fotos, contas bancárias e a sensação de estar seguro, soa justiça. O celular hoje é a carteira, o documento e o endereço de trabalho do brasileiro. Roubá-lo é atingir a vida inteira da vítima, e a lei precisa dizer isso com todas as letras.
A castração química de estupradores é outro ponto que a esquerda prefere tratar como tabu. A medida já passou pela Câmara e aguarda o Senado. Quem a defende pergunta o que é mais violento: a medida contra o condenado ou o crime contra uma criança? É uma pergunta que o PT evita responder, e que o eleitor, pai e mãe, responde em segundos.
O recado de Flávio ao lado de Guilherme Derrite também diz muito. Derrite comandou a segurança em São Paulo e conhece o chão onde o crime opera. Ao dizer que conversa com ele sobre o tema, o candidato sinaliza que a proposta tem gente de experiência por trás, e não só slogan de palanque. Somam-se a isso as demais medidas do plano: tratar facções como organizações terroristas, reforçar fronteiras e o Porto de Santos, ampliar câmeras e reconhecimento facial.
Na mesma terça, Flávio ainda apareceu ao lado de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, e se reuniu com motoboys, justamente os que mais sofrem com roubo de moto e de celular na capital paulista. Não é coincidência. A segurança pública deixou de ser pauta de nicho e virou o centro da escolha de 2026.
Por que isso incomoda tanto o establishment? Porque desmonta uma narrativa de décadas. Disseram que prender mais não resolve, que o problema é social, que o endurecimento é coisa de extremista. Enquanto isso, o brasileiro enterrou parentes, fechou comércios e entregou a rua às facções. Quem falhou foi a política da leniência, e não a da cadeia.
Quando um candidato diz que El Salvador é pouco, ele não está falando de copiar um país. Está dizendo que o Brasil aceitou por tempo demais um nível de crime que nenhuma nação séria toleraria. E que a resposta do Estado precisa ter a dimensão do medo que o cidadão sente todos os dias.
O que o governo atual fez, em quase quatro anos, para dar ao trabalhador a certeza de voltar para casa com o próprio celular no bolso? A pergunta fica no ar, e o eleitor tem até as urnas para respondê-la.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Há caso de os criminosos expulsarem todos os habitantes de uma cidade, não é? Mandam nos morros do Rio e, certamente, em muitos outros lugares, como se fossem os donos não só da área, mas também das pessoas. Isso é o cúmulo do absurdo. Impensável em qualquer país civilizado. É barbárie sob a vista grossa do governo.