O homem do telefone de Lula saiu 13 dias antes da bomba
Ele era o chefe de gabinete, homem de extrema confiança que cuidava da agenda e atendia as ligações do presidente. E recebia dinheiro da lobista investigada no escândalo do INSS
PHILADELPHIA, 04 de agosto de 2026 — O escândalo do INSS acaba de bater na porta mais sensível da República: o Gabinete Pessoal do presidente Lula.
A Polícia Federal identificou que a empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada por suposta ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025, fez transferências bancárias para Marco Aurélio Santana Ribeiro. O apelido dele, ironia que dispensa comentários, é Marcola.
E Marcola não era um assessor qualquer. De janeiro de 2023 até 21 de julho deste ano, ele foi o chefe do Gabinete Pessoal de Lula. Cuidava da agenda do presidente. Era o homem comissionado para ficar com o celular que recebia as chamadas destinadas ao chefe. Acompanha o petista há anos e era descrito em Brasília como pessoa de total confiança.
Segundo o Poder360, que revelou o caso e confirmou as transferências com quatro fontes, os repasses somam dezenas de milhares de reais. A finalidade e a frequência dos pagamentos estão sob análise da PF.
Quem é Roberta Luchsinger?
Aqui a história ganha peso. Roberta não é uma empresária aleatória. Ela é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, hoje alvo de três inquéritos no STF por suspeitas que incluem tráfico de influência e corrupção.
A PF identificou ao menos seis viagens em que Roberta e Lulinha aparecem sob o mesmo código localizador de passagens aéreas, incluindo uma ida a Portugal em junho de 2024. Em abril de 2025, no início do inquérito sobre as fraudes nos descontos dos aposentados, os dois foram citados como possíveis participantes do esquema. Ambos negam.
Tem mais. Segundo o Estadão, Roberta fez ao menos 42 visitas a órgãos do governo federal entre o início do mandato e abril de 2024. Dessas, 41 não constavam nas agendas oficiais das autoridades visitadas. E a empresa 3Structure, investigada por suposto favorecimento junto ao governo, pagou R$ 150 mil à RL Consultoria, empresa de Roberta.
É essa a pessoa que transferia dinheiro para o chefe de gabinete do presidente da República.
A saída “para a campanha”
A cronologia merece atenção. Marcola foi dispensado do Planalto em 21 de julho. A versão oficial: ele sairia para integrar a campanha de reeleição de Lula. Mas fontes relataram à CNN Brasil que o real motivo teria sido a descoberta dos pagamentos, e que a saída teria funcionado como uma “vacina” do governo antes de a informação vir a público.
Ou seja: em vez de exoneração com explicações, uma transição discreta para a estrutura de campanha. Duas semanas depois, o caso estourou.
Marcola, em nota, disse ter recebido “com surpresa” a reportagem e afirmou que se tratou de um empréstimo pessoal, já quitado, sem qualquer ilegalidade no exercício da função. Registre-se: até o momento, não há acusação formal contra ele. A defesa de Roberta disse que só se manifestará nos autos.
As perguntas que não vão embora
A explicação do “empréstimo pessoal” levanta mais perguntas do que responde. Por que o chefe de gabinete do presidente da República toma empréstimo justamente com uma lobista amiga do filho do chefe, investigada no maior escândalo previdenciário da história recente? Havia contrato? Juros? Comprovante de quitação?
E a pergunta central: Lula vai repetir o clássico “não sabia de nada”? O homem que controlava a agenda e o telefone do presidente recebia dinheiro de uma investigada do caso INSS, e ninguém no Planalto percebeu?
O dinheiro desviado dos aposentados não é abstração. É o desconto ilegal na aposentadoria de quem trabalhou a vida inteira. Quando as conexões desse esquema chegam ao gabinete presidencial, o mínimo que o país pode exigir é transparência total: extratos, datas, finalidades e uma explicação pública sobre por que alguém com esse tipo de ligação permaneceu tanto tempo num cargo de tamanha confiança.
Transparência não é favor. É obrigação. E o silêncio, a cada dia, fica mais barulhento.
Rogerio Pires é professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




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....e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes...