FLÓRIDA, 18 de outubro de 2026 — Por anos, segundo o próprio relato, Roberta Luchsinger esteve nas ceias de Natal, nas viradas de ano e nos carnavais da família Lula da Silva. Dividia casa com Lulinha em Brasília.
Neste sábado, diante das câmeras da CNN Brasil, ela anunciou que pretende fazer delação premiada. E deixou claro que não vai assumir sozinha a conta. Não vai poupar Lulinha. Não vai poupar Lula.
Como se chega a esse ponto?
Chega-se quando um presidente vai à televisão, chama uma investigada de pilantra, a compara a Daniel Vorcaro e trata o próprio filho como santo. Lula apostou que o rótulo resolveria o problema. Escolheu um bode expiatório e esperou o assunto morrer.
O assunto não morreu. Mudou de lado.
A frase que desmonta o presidente
Lula afirmou publicamente que Lulinha nunca sentou com ministros do governo. A jornalista Débora Bergamasco perguntou a Roberta se ela já tinha presenciado isso. A resposta veio seca: “Inúmeras vezes.”
Ela foi além. Disse que o filho do presidente se reunia semanalmente com integrantes do governo e que chegou a frequentar a casa de Camilo Santana no Ceará. O senador nega ter tratado de negócios ou de assuntos de governo com ela. Mas a questão central nunca foi Roberta. É a frase do presidente. Ou Lulinha nunca sentou com ministros, ou sentou. Não existe meio-termo.
Ministros na fila de quem não tem cargo
O trecho mais grave talvez seja outro. Roberta afirma que ministros a procuravam, e procuravam Lulinha, para conseguir agenda com o presidente e prioridade para projetos. Citou nominalmente Leonardo Barchini, da Educação, e Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações. O caminho passava por Marcola, então chefe de gabinete de Lula, o mesmo que recebeu ajuda financeira dela.
Pense nisso por um instante. Ministros de Estado recorrendo a uma empresária sem cargo e ao filho do presidente para furar a fila da agenda presidencial. Se isso é verdade, quem governava a antessala do Planalto?
Ela mesma devolve a pergunta com crueldade: ou Lula sabia, ou não estava no controle do próprio governo. Nenhuma das duas hipóteses é confortável para quem pede mais quatro anos.
O vizinho e a empreiteira
Roberta também citou Amauri Rodrigues Pinha, que ela descreve como vizinho de Lulinha e presidente no Brasil da Mota-Engil, a empreiteira que venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá. Disse que os dois fizeram reuniões de portas fechadas na casa dela, em Brasília.
Reunião, sozinha, não prova favorecimento. Ela própria admite que não ouviu o conteúdo. Mas o governo tem os registros de entrada no Planalto, nos ministérios e nas estatais. Pode publicá-los amanhã. Por que ainda não publicou? Certamente teremos novos sigilos de cem anos a caminho.
A amiga que Lula não conhece
Agora, Lula diz que não a conhece. Ela rebate com a lógica mais simples possível: como o pai não conhece a melhor amiga do filho, presente em todas as festas da família? O Planalto respondeu que desconhece inteiramente as acusações. Desconhecer parece ser o verbo favorito deste governo.
E aqui a história fica humana. Roberta conta que lutou por Lula quando ele estava preso. Foi dela, segundo afirma, a ação sobre o domicílio eleitoral contra Sergio Moro. Acreditou na inocência dele quando poucos se expunham. O troco veio em forma de xingamento em horário nobre.
Ela diz receber cerca de 50 ameaças de morte por dia. As filhas tiveram redes sociais invadidas com promessas de violência. Perdeu clientes de mais de uma década. Há duas semanas, a filha sofreu um acidente de carro em São Bernardo do Campo, e ela não pôde ir até lá, presa às restrições da tornozeleira.
Ninguém ligou. Nem Lulinha.
Por isso ela o chamou de covarde. As duas noras do presidente saíram em sua defesa. O melhor amigo ficou calado enquanto o pai a jogava aos leões.
O que está em jogo
Não estou aqui para canonizar Roberta Luchsinger. Ela é investigada na Operação Sem Desconto, teve bens bloqueados e tem interesse evidente numa delação. Tudo o que disse precisa ser provado, e ela afirma que pode provar.
Mas há uma assimetria que salta aos olhos. A casa dela foi revirada pela Polícia Federal com a filha de 15 anos dentro. Seus sigilos estão escancarados. E o filho do presidente segue blindado pelo discurso do pai.
Lula passou a vida exigindo presunção de inocência para si. Para a mulher que defendeu sua liberdade quando ele estava preso, reservou uma palavra: pilantra. Para o filho, reservou outra: santo.
O Brasil já viu esse filme. O presidente que nunca sabe de nada, cercado de gente que sabe de tudo. A diferença é que, desta vez, quem sabe resolveu falar.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Acredito que o LULADRÃO irá entrar em contato com ela e oferecerá alguns milhões de reais em troca do silêncio.
Afinal CORRUPÇÃO e LULADRÃO são uma coisa só !!!
Lula é o câncer, PT é a metástase!