“O quadro é desastroso”
Alerta para recessão em 2027 e recado direto para a sua família: proteja seu dinheiro, corte gastos e fuja de dívidas
ORLANDO FL, 25 de julho de 2026 — Quando a oposição critica o governo, o Planalto tem sempre a mesma resposta pronta: é implicância, é política, é torcida contra. Mas o que fazer quando o alerta vem de dentro de casa? Quando quem aponta o desastre é justamente um dos economistas que subiu no palanque da “frente ampla” em 2022?
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central entre 1999 e 2003, declarou voto em Lula no segundo turno de 2022 em nome da “defesa da democracia”. Pois bem. Menos de quatro anos depois, em entrevista concedida à imprensa nesta sexta-feira, o mesmo Fraga olhou para a obra do governo que ajudou a eleger e resumiu tudo em uma palavra: desastroso.
E ele não parou aí. Fraga afirmou que o Brasil atravessa uma crise estrutural grave e enxerga risco concreto de recessão em 2027. Não é achismo de rede social. É o diagnóstico de quem comandou a autoridade monetária do país e conhece cada engrenagem das contas públicas.
O retrato que o governo tenta esconder
Os números confirmam o que qualquer família brasileira já sente no bolso. Juros mais altos do planeta, sufocando quem produz e quem consome. Dívida pública em trajetória explosiva. Inadimplência elevada, com empresas penando para renegociar seus passivos. Comida cara, combustível caro, crédito caro.
E do outro lado do balcão? A gastança segue firme e forte. Não há eufemismo capaz de disfarçar: enquanto o brasileiro corta o supermercado pela metade, Brasília não corta nada.
Fraga foi cirúrgico ao avaliar a âncora fiscal que o próprio governo criou. Segundo ele, o governo montou o arcabouço fiscal e, nas suas palavras, “chutou o pau da barraca logo de cara”. O resultado está nos juros altos, que o economista comparou a uma “febre persistente” que não cede.
Pior: Fraga enxerga no atual mandato uma semelhança incômoda com o governo Dilma Rousseff, quando as contas públicas foram estouradas em nome da vitória eleitoral. Todos nós lembramos como aquele filme terminou: recessão histórica, milhões de desempregados e um país quebrado.
O conselho de quem conhece o jogo
Diante desse quadro, a recomendação do ex-presidente do BC para famílias e empresas é de guerra: preserve seu caixa, economize o que puder e tenha muita cautela com dívidas. Quando um dos economistas mais experientes do país sugere que você se prepare para a tempestade, ignorar o aviso é um luxo que poucos podem pagar.
É verdade que Fraga distribui responsabilidades. Para ele, o desarranjo fiscal envolve os três Poderes, ainda que o Executivo seja, em suas palavras, o maestro dessa orquestra. E o economista tampouco poupou o governo anterior de críticas. Isso só torna o alerta mais grave: não se trata de um militante governista ou de oposição e sim de um técnico apontando o abismo à frente.
Quem avisa, amigo é
Repare no detalhe que muda tudo: quem está dizendo isso não é a oposição. Não é blogueiro, não é adversário de ocasião. É o economista que, em 2022, pediu voto em Lula para “proteger a democracia”. Hoje, esse mesmo homem recomenda que o brasileiro proteja o próprio bolso do governo que ajudou a eleger.
Há poucas imagens mais eloquentes do fracasso de um projeto de poder do que essa: seus próprios fiadores pulando do barco e gritando para os passageiros vestirem o colete salva-vidas.
O brasileiro que se cuide. O aviso foi dado, e desta vez veio de dentro.
Rogerio Pires é professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Deixa eu servir de papagaio de pirata do Kim Paim: "devemos dar ouvidos ao Arminio Fraga por que no que ele fala não existe militância, eh sempre algo técnico, muito técnico, extremamente técnico. #FB22