RIO DE JANEIRO, 29 de setembro de 2026 — Eu vi o vídeo e tive vontade de vomitar.
Não estou exagerando. Assisti uma vez, voltei, assisti de novo. Na terceira, desliguei o celular e fiquei olhando para a parede. Porque a frase não saiu da boca de um bêbado de esquina. Saiu da boca do presidente da República, em cima de um palanque, com microfone, câmera e plateia aplaudindo.
“As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas.”
Desde pequenas, Lula?
Pequenas são meninas. Crianças. Filhas. Netas. Alunas.
Não existe contexto possível
O assunto em Belém era exame de próstata. A frase, não. A frase era sobre meninas.
Não existe contexto que limpe essa frase. Um presidente com o mínimo de noção do cargo que ocupa jamais colocaria “toque” e “pequenas” na mesma frase. Jamais. Nem por brincadeira, nem por descuido, nem para fazer graça com a plateia.
Ele colocou. E seguiu discursando como se nada tivesse acontecido.
Mentira e perigo na mesma frase
Além de repugnante, a frase é falsa. Menina nenhuma “aprende a tomar toque”. Não existe protocolo médico que submeta crianças a exames íntimos como rotina. O preventivo, segundo o próprio governo dele, é indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual.
Procedimento íntimo em criança sem indicação clínica tem nome. E não é consulta médica.
Sabe como começa quase toda história de abuso infantil? Com alguém convencendo a vítima de que aquilo é normal. Que toda menina passa por isso. Que é assim mesmo.
Foi exatamente essa ideia que o presidente jogou no ar, para o Brasil inteiro ouvir.
Ele já tinha feito isso
E não me venham dizer que foi deslize. Em 2023, numa live semanal, Lula já tinha usado os “toques” que as mulheres recebem no ginecologista para zombar dos homens. Três anos depois, repetiu. Piorou. Acrescentou a infância.
Uma vez é tropeço. Duas é convicção.
Eu sou pai de uma menina
E passei a vida ensinando a ela o contrário do que esse homem disse.
Que o corpo dela é dela. Que existem limites. Que ninguém tem o direito de tocá-la. Que, se alguém tentar, ela grita, corre e conta.
Milhões de pais, mães, professores e conselheiros tutelares fazem esse trabalho todos os dias neste país. Um trabalho lento, feito de conversa e confiança.
E o presidente da República cospe em cima disso num palanque, para arrancar risada de militante.
Imperdoável
Se fosse um candidato qualquer, já seria grave. Vindo de quem senta na cadeira da Presidência, é imperdoável.
Até agora, nenhum pedido de desculpas. Nenhuma retratação. Nenhuma palavra às meninas deste país.
Então eu digo por ele: essa frase foi nojenta, repugnante e indefensável. E quem tentar relativizar está passando pano para o intolerável.
Não esqueça. Não normalize. Compartilhe com quem tem uma filha em casa.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




nunca vi nada igual! baixo nível, asqueroso, esse é o presidente do Brasil? essa eleição do dia 4 tem que ser ganha no primeiro turno! 22!