O silêncio dos petistas sobre Deolane
Apoiadora de Lula, advogada lavava dinheiro para o PCC
SÃO PAULO, 22 de maio de 2026 —Conhecida nacionalmente após a morte do cantor de funk MC Kevin, em 2021, Deolane Bezerra transformou a exposição nas redes sociais em um império digital baseado em publicidade, apostas online, eventos e promoção de marcas. Advogada criminalista de Pernambuco, ela passou a frequentar programas de televisão, acumulou milhões de seguidores no Instagram e construiu uma imagem pública marcada pela ostentação de carros de luxo, joias, viagens internacionais e imóveis de alto padrão.
Nos últimos anos, porém, a trajetória da influenciadora passou a ser acompanhada também por investigações policiais envolvendo lavagem de dinheiro, rifas ilegais e relações indiretas com personagens ligados ao crime organizado. O novo capítulo ocorreu com a Operação Vérnix, da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público paulista, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, empresas e contas bancárias ligadas a Deolane foram utilizadas como mecanismo para movimentação de recursos do grupo criminoso. A polícia afirma que o esquema utilizava empresas de fachada no setor de transportes para ocultar a origem do dinheiro e dificultar o rastreamento financeiro. A operação também mirou familiares de Marcola, apelido de Marco Herbas Camacho, apontado pelas autoridades como principal líder da facção.
As suspeitas sobre a influenciadora não surgiram agora. Em setembro de 2024, Deolane foi presa em Recife durante a Operação Integration, investigação voltada a esquemas de lavagem de dinheiro relacionados a plataformas de apostas, rifas digitais e jogos ilegais. Na época, investigadores já apontavam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com parte das atividades declaradas pelas empresas envolvidas. Ela acabou libertada dias depois por decisão judicial.
Paralelamente às investigações, Deolane também passou a ocupar espaço político e midiático. Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a influenciadora demonstrou apoio público ao presidente e participou de agendas e manifestações nas redes sociais em defesa do petista, o que ampliou sua projeção para além do universo do entretenimento digital.
A operação desta semana elevou o caso a um novo patamar. Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e ativos financeiros, incluindo imóveis e veículos de luxo. O nome da influenciadora chegou a ser incluído em alerta de Difusão Vermelha da Interpol enquanto ela estava na Itália, segundo informações divulgadas pelas autoridades.



