Operação mira Tren de Aragua em seis estados
Investigação aponta atuação em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio de armamento pesado; grupo é acusado de abastecer organizações criminosas brasileiras
PARANÁ, 16 de junho de 2026 — A Polícia Civil deflagrou nesta manhã, uma ampla ofensiva contra a Tren de Aragua, organização criminosa originária da Venezuela que vem expandindo sua presença em território brasileiro e consolidando alianças com facções nacionais.
Batizada de Operação Rota do Norte, a ação mobilizou agentes em seis estados, Roraima, Amazonas, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, para cumprir 55 mandados judiciais, sendo 25 de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão.
Os investigados são suspeitos de participação em uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas. O objetivo da operação é atingir tanto a estrutura operacional quanto a rede financeira da facção, considerada uma das mais violentas da América Latina.
Segundo as investigações, o grupo não atua apenas na distribuição de entorpecentes. A polícia afirma que integrantes da organização estariam envolvidos no fornecimento de armamentos de alto poder destrutivo para outras facções brasileiras, incluindo metralhadoras de calibre .50 e lança-granadas, equipamentos normalmente associados a conflitos armados e operações militares.
As apurações indicam ainda que a rede abasteceria organizações criminosas já estabelecidas no país, entre elas o Comando Vermelho, especialmente em áreas do Amazonas e do Rio de Janeiro. O cenário reforça uma preocupação crescente entre autoridades de segurança: a integração cada vez maior entre facções nacionais e grupos criminosos estrangeiros.
A expansão da Tren de Aragua tornou-se um dos principais desafios de segurança na região Norte. Fundada dentro de uma prisão venezuelana, a organização ultrapassou as fronteiras de seu país de origem e construiu uma rede transnacional presente em diversas nações sul-americanas. Seu histórico inclui acusações de tráfico de drogas, tráfico de pessoas, extorsão, sequestro, assassinatos, mineração ilegal e controle territorial em regiões estratégicas.
Nos últimos anos, investigações passaram a apontar a presença da facção em áreas de fronteira brasileiras, especialmente em Roraima, estado que faz divisa com a Venezuela e se tornou uma das principais portas de entrada do grupo no país. Relatórios policiais também indicam a atuação da organização em rotas ligadas ao garimpo ilegal, ao contrabando e ao tráfico internacional.
A operação ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre a facção. Recentemente, os Estados Unidos classificaram a Tren de Aragua como organização terrorista estrangeira, colocando-a no mesmo patamar de ameaça atribuído a grupos criminosos de alcance transnacional. A medida ampliou a cooperação internacional para rastrear integrantes, bloquear recursos financeiros e desmontar redes de apoio ligadas à organização.
A investigação brasileira é conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça.
Mais do que uma operação policial de rotina, a ação evidencia uma mudança no perfil do crime organizado que atua no Brasil. Se durante décadas as principais ameaças eram facções nacionais concentradas em determinadas regiões, o avanço de organizações estrangeiras altamente estruturadas revela um cenário cada vez mais internacionalizado, com fronteiras mais permeáveis ao tráfico de drogas, armas e recursos ilícitos.
O resultado das prisões e buscas deverá indicar até que ponto a Tren de Aragua já conseguiu se integrar ao ecossistema criminoso brasileiro e quais serão os desafios para impedir que essa expansão continue avançando pelo país.



