Órgão de Trump propõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e amplia pressão sobre governo Lula
Investigação comercial dos Estados Unidos aponta práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas e pode resultar em novas barreiras contra exportações brasileiras
WASHINGTON, 02 de junho de 2026 — O governo do presidente Donald Trump deu mais um passo na escalada das tensões comerciais com o Brasil. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros após concluir uma investigação sobre práticas comerciais adotadas pelo país.
Segundo o órgão americano, o Brasil mantém políticas consideradas “irracionais” ou “discriminatórias” em áreas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. Na avaliação de Washington, essas práticas prejudicam empresas e interesses econômicos dos Estados Unidos.
A medida ainda passará por consulta pública e audiências antes de uma decisão final, prevista para julho. Mesmo assim, o anúncio representa um novo sinal de deterioração nas relações entre Brasília e Washington.
Entre os pontos citados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o PIX. O documento do USTR sugere que determinadas regras do setor financeiro brasileiro acabam criando obstáculos para empresas americanas que atuam no segmento de pagamentos digitais.
O relatório também critica falhas na proteção à propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro para determinados produtos e questiona a efetividade das políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.
Apesar do impacto potencial, diversos produtos estratégicos ficaram fora da proposta. Entre as exceções estão carne bovina, café, aeronaves, peças aeronáuticas, terras raras, petróleo e outros produtos considerados relevantes para a própria economia americana.
Nos bastidores, a iniciativa é vista como mais um capítulo da postura assertiva adotada por Trump em sua política comercial. O presidente americano tem utilizado instrumentos previstos na legislação dos Estados Unidos para pressionar governos estrangeiros em disputas econômicas e estratégicas.
O anúncio ocorre poucos dias após a decisão do governo americano de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que já havia provocado desconforto dentro do governo brasileiro e ampliado o debate sobre a relação entre os dois países.
Embora a investigação comercial tenha sido aberta anteriormente e trate formalmente de questões econômicas, a sucessão de medidas vindas de Washington reforça a percepção de que o Brasil passou a ocupar posição de destaque na agenda internacional da administração Trump.
Caso as tarifas sejam confirmadas, setores exportadores brasileiros poderão enfrentar novos desafios para manter competitividade no mercado americano, um dos principais destinos das exportações nacionais.
Para o regime Lula, o episódio representa mais uma frente de desgaste em um momento de crescente pressão econômica e diplomática. Enquanto Washington endurece o discurso e amplia os instrumentos de pressão, Brasília terá pouco mais de um mês para tentar convencer os americanos a rever a proposta antes da decisão final prevista para julho.



