Petro pune general que denunciou ação das FARC nas eleições
Oficial denunciou pressão de grupos terrorista sobre eleitores rurais; decisão foi posteriormente suspensa pelo Ministério da Defesa
BOGOTÁ, 6 de junho de 2026 — A Colômbia vive mais um episódio de tensão envolvendo suas Forças Militares e o ambiente político do país. O general colombiano Erick Rodríguez Aparicio, então Subchefe de Operações das Forças Militares e responsável pelo chamado Plano Democracia — estrutura encarregada de garantir a segurança do processo eleitoral colombiano — foi alvo de uma ordem de retirada do serviço ativo, decisão que rapidamente provocou forte repercussão política e institucional.
Rodríguez é um dos oficiais mais experientes das Forças Armadas colombianas, acumulando mais de três décadas de serviço militar. Ao longo da carreira, participou de operações contra grupos armados ilegais e ganhou notoriedade por comandar ações de combate ao narcotráfico e às organizações insurgentes, incluindo a Operação Trueno, realizada na região do Cauca, uma das áreas historicamente mais afetadas pela violência política e pela presença de grupos armados.
A controvérsia surgiu após declarações públicas feitas pelo general nas redes sociais e em manifestações institucionais nas quais ele alertava para a existência de pressões exercidas por grupos armados ilegais sobre comunidades rurais durante o período eleitoral.
Segundo relatos divulgados pela imprensa colombiana, Rodríguez denunciou processos de “carnetização” de comunidades e mecanismos de controle político exercidos por organizações criminosas em determinadas regiões do país. O militar afirmou que havia preocupação quanto à liberdade de escolha dos eleitores em áreas sob influência de grupos armados.
As declarações provocaram intenso debate dentro do cenário político colombiano. Críticos da decisão do governo afirmaram que o afastamento do oficial poderia ser interpretado como uma punição por suas denúncias. Já setores alinhados ao governo sustentaram que mudanças na estrutura militar fazem parte das atribuições normais do Poder Executivo.
O caso ganhou ainda mais repercussão pelo cargo ocupado por Rodríguez. Como responsável pelo Plano Democracia, sua missão era coordenar a atuação das Forças Militares na proteção das eleições presidenciais, garantindo segurança em regiões vulneráveis à ação de grupos criminosos, narcotraficantes e organizações insurgentes.
Imagens divulgadas pela emissora colombiana Notícias Caracol mostram o general participando de eventos oficiais, reuniões estratégicas e operações militares, reforçando sua posição de destaque dentro da estrutura de defesa do país.
Diante da repercussão nacional, o Ministério da Defesa colombiano anunciou posteriormente a suspensão temporária da medida de retirada do oficial, mantendo o assunto em análise. A decisão foi interpretada por analistas como uma tentativa de reduzir a tensão institucional gerada pela controvérsia.
O episódio ocorre em um momento particularmente delicado para a Colômbia. O país enfrenta desafios crescentes relacionados à expansão territorial de grupos armados ilegais, dissidências das FARC, organizações ligadas ao narcotráfico e outras estruturas criminosas que continuam exercendo influência sobre diversas regiões rurais. Autoridades colombianas têm reconhecido publicamente que a segurança eleitoral permanece sendo uma das principais preocupações nacionais.
Embora o caso tenha despertado forte debate político, até o momento não há decisão definitiva sobre a situação funcional do general Erik Rodríguez Aparicio. A suspensão temporária da aposentadoria mantém aberta a discussão sobre o papel das Forças Armadas na proteção do processo eleitoral e sobre os limites da atuação de militares ao denunciarem riscos institucionais e pressões exercidas por grupos armados contra a população civil.
A evolução do caso continuará sendo acompanhada por observadores políticos, militares e entidades ligadas à defesa da democracia na Colômbia.




