PF e PGR decidem nesta semana futuro da delação de Vorcaro
Nova proposta do banqueiro preso tenta superar rejeição inicial, mas investigadores exigem provas, fatos inéditos e reparação bilionária aos cofres públicos
BRASÍLIA, 08 de junho de 2026 — A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República devem definir nos próximos dias se darão continuidade às negociações para um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e figura central de um dos maiores escândalos financeiros já investigados no país.
A nova proposta apresentada pela defesa está sendo analisada por delegados e procuradores, que buscam verificar se o material contém elementos concretos capazes de justificar o avanço das tratativas. A expectativa nos bastidores é que a versão reformulada tenha corrigido as falhas que levaram à rejeição da primeira tentativa de colaboração.
Segundo informações divulgadas por investigadores, o novo documento é mais detalhado e inclui nomes, datas, anexos e informações adicionais sobre a relação de Vorcaro com autoridades dos Três Poderes e lideranças políticas de diferentes correntes. A nova versão também teria aprofundado episódios que anteriormente apareciam apenas de forma superficial.
Apesar disso, a Polícia Federal mantém cautela. A principal preocupação é verificar se as declarações apresentadas são sustentadas por provas e se realmente acrescentam informações novas às investigações. A primeira proposta foi rejeitada justamente por não trazer elementos considerados relevantes, além de omitir fatos que já haviam sido identificados pelos investigadores por meio da análise de celulares e outros materiais apreendidos.
Outro ponto considerado essencial para a viabilidade de um eventual acordo é a disposição de Vorcaro em devolver recursos supostamente obtidos de forma ilícita. Integrantes da investigação avaliam que qualquer colaboração só terá valor real caso venha acompanhada de ressarcimento financeiro significativo, com cifras que, segundo relatos, poderiam alcançar dezenas de bilhões de reais.
Caso a PF e a PGR entendam que a nova proposta atende aos requisitos legais, Vorcaro deverá ser convocado para novos depoimentos, nos quais terá de detalhar os fatos narrados e apresentar documentação capaz de comprovar suas acusações.
Mesmo que investigadores e procuradores concordem com o prosseguimento das negociações, a palavra final continuará nas mãos do ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal. Caberá a ele analisar e eventualmente homologar qualquer acordo firmado entre as partes.
A decisão desta semana poderá definir não apenas o destino jurídico de Vorcaro, mas também o alcance político de uma colaboração que promete atingir personagens influentes da República.



