Polícia aponta repasses do PCC para Deolane
Mensagens apreendidas e comprovantes bancários teriam identificado transferências ligadas a esquema de lavagem de dinheiro da facção para contas e empresas da influenciadora
SÃO PAULO, 26 de maio de 2026 — A Polícia Civil de São Paulo afirma ter encontrado indícios de pagamentos realizados por uma empresa investigada por lavagem de dinheiro do PCC para a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. As informações fazem parte da Operação Vernix, que investiga uma suposta rede financeira ligada à facção criminosa e resultou na prisão da influenciadora na última semana.
Segundo os investigadores, mensagens extraídas de aparelhos apreendidos mencionam uma abreviação interpretada como referência a Deolane. As conversas estariam acompanhadas de instruções para transferências bancárias e registros financeiros que, de acordo com a polícia, apontam para contas vinculadas à empresária.
A investigação teve origem em 2019, após a descoberta de bilhetes considerados estratégicos por agentes penitenciários em uma unidade prisional do interior paulista. A partir dessas informações, a polícia passou a rastrear uma estrutura empresarial que, segundo a acusação, teria sido utilizada para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades atribuídas ao PCC.
No centro das apurações está uma transportadora apontada pelas autoridades como peça-chave no esquema financeiro da organização criminosa. Policiais afirmam que mensagens encontradas durante a investigação mencionam pagamentos destinados a uma pessoa identificada apenas como “Deo... Beze...”, além de dados bancários que posteriormente teriam sido associados a Deolane Bezerra.
Os investigadores também relatam ter localizado comprovantes de depósitos realizados por pessoas apontadas como operadores da estrutura financeira da facção. Esses documentos, segundo a polícia, indicariam repasses para contas ligadas à influenciadora.
Relatórios produzidos durante a investigação apontam ainda uma intensa movimentação financeira envolvendo contas pessoais e empresas registradas em nome de Deolane. A polícia sustenta que parte desses recursos teria circulado por diversas contas e empresas sob análise, algumas delas localizadas em cidades próximas a áreas consideradas estratégicas para a atuação da organização criminosa.
A defesa da influenciadora rejeita as acusações e afirma que não existe qualquer vínculo entre Deolane e o PCC. Segundo seus advogados, os valores recebidos têm origem lícita e estariam relacionados às suas atividades empresariais e profissionais. A defesa também argumenta que todos os rendimentos foram devidamente declarados às autoridades competentes.
As investigações apontam ainda que a rotina da influenciadora foi monitorada pelas autoridades brasileiras com apoio da Interpol durante uma viagem à Itália. Após retornar ao Brasil, ela foi presa preventivamente e encaminhada ao sistema prisional paulista.
A Operação Vernix segue em andamento e busca esclarecer a origem dos recursos movimentados, além de identificar possíveis conexões entre empresas, operadores financeiros e integrantes da organização criminosa. Até o momento, as acusações apresentadas pela polícia ainda serão analisadas pela Justiça, e o caso permanece sob investigação.



