Segundo artigo da série “ESTRATÉGIA SENADO” com a missão São Paulo.
RIO DE JANEIRO, 20 de agosto de 2026 — Setembro de 2018. Uma candidata à Presidência que havia sido ministra de Lula por cinco anos diz, em plena campanha e com ele atrás das grades, que o considera corrupto. Sem meia palavra, sem eufemismo.
Setembro de 2022. Um eleitor paulista liga a televisão e ouve uma senadora de voz firme dizer que o país teve, no comando do Planalto, o grande orquestrador do maior escândalo da história da República. Mensalão para comprar o Congresso. Petrolão para se manter no poder. Nenhum mea-culpa, negação até hoje.
Na primeira cena, quem falava era Marina Silva. Na segunda, Simone Tebet. De quem as duas falavam era Lula.
Guarde as duas cenas. Elas valem mais que qualquer marqueteiro contratado, porque nenhum dos dois lados pode alegar que foram tiradas de contexto. Estão gravadas, estão datadas, estão no ar até hoje.
Menos de noventa dias depois da segunda, Tebet aceitava um ministério das mãos do orquestrador. Marina já havia voltado ao dela.
O que São Paulo está sendo convidado a esquecer
Em outubro de 2026, o eleitor paulista escolhe dois senadores. E as duas primeiras colocadas em quase todas as pesquisas são Marina Silva e Simone Tebet, lançadas na chapa de Fernando Haddad como as senadoras do time de Lula em São Paulo.
O eleitor precisa saber exatamente o que isso significa. Não se trata de duas trajetórias independentes que casualmente coincidem com o governo. Trata-se de duas ministras que ocuparam o primeiro escalão até 31 de março deste ano, saíram para cumprir prazo eleitoral e agora pedem ao maior colégio eleitoral do país que lhes dê a caneta que falta ao Planalto: o Senado.
Tebet: o roteiro completo em quatro anos
Ela chamou o petismo de sistema. Disse que o PT usou o mensalão como mesada para comprar o Congresso Nacional e o petrolão para se perpetuar. Acusou Lula de nunca reconhecer nada. Na reta final de 2022, ainda cobrava propostas que ele não apresentava e resumia tudo numa frase seca: não sabia que Lula vinha aí, não sabia que PT vinha aí.
Descobriu depois.
Negou publicamente qualquer negociação de cargos. Assumiu o Ministério do Planejamento em janeiro de 2023 e lá ficou até março deste ano, administrando o Orçamento do governo que havia denunciado como o mais corrupto da história recente.
E agora, ela, cai de paraquedas em São Paulo e pede o voto do paulista. Não porque conheça São Paulo. Porque São Paulo tem 34 milhões de eleitores e Mato Grosso do Sul possivelmente não a elegeria. Eles a conhecem bem.
É a mesma lógica de 2022, quando obteve 4,16% no primeiro turno e transformou a derrota em cargo. O voto do paulista, aqui, não é destino. É meio de transporte.
Marina: quarenta anos, cinco partidos, dois Lulas
A trajetória de Marina Silva é ainda mais reveladora, porque é mais longa.
PT de 1986 a 2008. Ministra de Lula por cinco anos. Rompeu, saiu, foi para o PV, disputou a Presidência contra a candidatura do próprio Lula em 2010. Foi para o PSB em 2014, disputou de novo, perdeu e mandou seus mais de vinte milhões de eleitores votarem em Aécio Neves no segundo turno. Fundou a Rede em 2015. Defendeu o impeachment de Dilma Rousseff e fez questão de dizer que foi por convicção, não por voto. Sobre Dilma e Temer, cravou a sentença que ficou: farinha do mesmo saco, caroço do mesmo angu.
Em setembro de 2018, com Lula preso, ela disse com todas as letras que o considerava corrupto.
Corrupto. A palavra é dela.
Quatro anos depois, subia no palanque do corrupto. Voltou ao mesmo ministério que havia deixado batendo a porta e ficou até março de 2026. Hoje disputa o Senado pela federação PSOL-Rede, dentro da chapa do PT, no time do homem que ela declarou criminoso.
O que mudou entre 2018 e 2022? Não foi o processo, que caiu por competência e por suspeição, não por inocência declarada. Mudou a conveniência.
E aqui está o ponto que o eleitor de São Paulo precisa levar para a urna: se as convicções mais profundas dessas duas mulheres, ditas com veemência e em rede nacional, não sobreviveram a um convite para ministério, o que resta delas diante da pressão de uma votação apertada no plenário do Senado?
Muito pouco ou quase nada, como preferir.
O que a direita paulista tem para oferecer
Flávio Bolsonaro apontou dois nomes em São Paulo, e a diferença de perfil é gritante.
Guilherme Derrite é capitão da Polícia Militar. Passou pelo Corpo de Bombeiros e pela Rota. Não aprendeu segurança pública em seminário: aprendeu na rua, no turno da noite, na periferia onde a bala é real. Como secretário de Segurança de São Paulo entre 2023 e 2025, o estado registrou a menor taxa de homicídios em 24 anos. É dele o projeto que acaba com a saidinha de presos, aquela festa anual que devolve às ruas milhares de condenados e escandaliza qualquer mãe brasileira. E foi ele quem pegou o projeto antifacção enviado pelo governo Lula e o endureceu, para desespero do Planalto, que queria um texto que não incomodasse ninguém.
André do Prado começou aos 12 anos, feirante, depois que o pai morreu. Foi soldador. Foi comerciante. Foi professor de matemática numa escola estadual de Guararema. Em 1992 se elegeu vereador com 241 votos. Duzentos e quarenta e um. Hoje preside a Assembleia Legislativa de São Paulo, o maior parlamento estadual da América Latina, reeleito para o cargo com 88 votos dos colegas.
No meio do caminho foi vice-prefeito e prefeito da própria cidade, e é isso que explica a bandeira dele: municipalismo. Prefeito conhece buraco de rua, fila de posto de saúde e folha de pagamento que não fecha. Sua credencial de campanha é a gestão paulista, incluindo a Tabela SUS Paulista, que complementa o repasse federal e permitiu abrir e reabrir mais de 8 mil leitos.
Um sabe o que é enfrentar facção. O outro sabe o que é administrar cidade sem dinheiro. Nenhum dos dois precisou chamar alguém de corrupto para depois pedir emprego a ele.
A conta
São Paulo tem dois votos na mão e uma pergunta simples pela frente.
O estado quer mandar a Brasília duas ex-ministras que trocaram as próprias palavras por cargo, ou dois homens cuja história foi construída antes e fora do governo que hoje pede socorro?
Em outubro, o paulista não escolhe apenas dois nomes. Escolhe se a palavra dada em praça pública ainda vale alguma coisa neste país.
Rogerio Pires é professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Essas 2 lulistas CANALHAS vão descer pela descarga junto com o velho fraudado cachaceiro chefe delas❗️😪
Corno de 9 dedos vibra com a exploração de óleo no acre. O que diz a Marina sobre isso