MARYLAND, 16 de outubro de 2026 — Em julho, a previsão do próprio governo era de um déficit primário de R$ 52 bilhões para este ano. Em setembro, a conta subiu para R$ 80,9 bilhões. No meio do caminho, Lula abriu o cofre, e a eleição estava logo ali. Agora a Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado, calcula quanto custa a generosidade: R$ 298,4 bilhões em benefícios anunciados só em 2026.
Quase trezentos bilhões de reais. A pergunta que o governo não responde é simples: por que esse dinheiro todo apareceu justamente no ano em que Lula disputa a reeleição, a poucos dias do segundo turno?
Vamos aos números, porque eles contam a história melhor que qualquer discurso. Dos R$ 298,4 bilhões, R$ 185,7 bilhões são crédito com juros subsidiados, entre eles o Move Brasil e a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para a classe média. Outros R$ 63,2 bilhões são despesas primárias, aquelas que pesam direto no orçamento. R$ 30,6 bilhões são renúncia fiscal, imposto que o Estado deixa de arrecadar. E R$ 18,9 bilhões são recursos de terceiros, fora do orçamento.
Na vitrine entram o Desenrola, o reajuste do Bolsa Família, a isenção do Imposto de Renda e o subsídio aos combustíveis. Cada item, isolado, tem um cartaz bonito e uma foto de inauguração. Somados, formam um pacote que ninguém no Palácio do Planalto fez questão de apresentar inteiro ao contribuinte.
Repare no calendário. A tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana foi prometida agora, mas seu impacto aparece em 2027. Ou seja, o anúncio rende voto em outubro e a fatura chega depois da apuração. O projeto de R$ 5 mil para microempreendedores só deve ir ao Congresso após as eleições. Primeiro o aplauso, depois a conta.
E quem vai pagar? Eu respondo: você. Quando o governo gasta mais do que arrecada, o dinheiro sai de três lugares: mais imposto, mais dívida ou mais inflação. Não existe um quarto caminho, por mais que o marketing oficial tente inventá-lo.
A dívida pública já chegou a 82,9% do PIB em agosto, o equivalente a R$ 11,1 trilhões. Isso significa que uma parcela cada vez maior da riqueza do país vai para pagar juros, e não para hospital, escola ou segurança. A equipe econômica ainda anunciou um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões para tentar alcançar o piso da meta. O governo corta com uma mão o que promete com a outra.
Há ainda um detalhe que merece atenção: mais da metade do pacote, R$ 185,7 bilhões, é crédito subsidiado. Crédito barato para alguns é custo para todos, porque o Tesouro se endivida a juros altos para emprestar a juros baixos. É generosidade com o dinheiro do contribuinte, cobrada na dívida que todos vão herdar.
O que dizem os defensores do pacote? Que é política social. Mas política social séria tem planejamento, previsão orçamentária e transparência de custo, e não uma enxurrada de medidas liberadas em sequência quando o relógio da eleição aperta. Quem cuida de gente cuida o ano inteiro, não só na reta final do segundo turno.
Enquanto isso, o governo que prometeu responsabilidade fiscal vê o déficit crescer mais de 50% em dois meses e a dívida bater novos recordes. O brasileiro que paga o supermercado, o aluguel e a conta de luz sente isso no bolso muito antes de qualquer relatório.
Fica a pergunta que a campanha oficial evita: se havia R$ 298,4 bilhões para distribuir agora, por que não havia antes? E, principalmente, quem vai explicar em 2027, com a eleição já passada, de onde sairá o dinheiro para sustentar o que foi prometido?
O eleitor tem o direito de saber o preço antes de votar, e não depois. Transparência não é favor do governo, é obrigação de quem administra o dinheiro dos outros.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




A Direita precisa aprender com o trabalho das formigas operárias da esquerda. Os deputados eleitos deveriam estar marcando reuniões ou comícios, agradecer pelos votos e ir explicando um a um desses delírios de Lula e explicar a conta que vai sobrar para nós.Todos os mais votados deveriam fazer vídeos também com o mesmo discurso nas redes sociais. Ainda dá tempo.