BRASÍLIA, 25 de setembro de 2026 — Mensagens atribuídas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelam uma proximidade que contrasta com a versão apresentada pelo parlamentar de que não conhecia o banqueiro. Segundo reportagem da revista Veja, os diálogos foram encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e incluem declarações de amizade, pedidos de ajuda e referências a encontros privados. A negativa de Alcolumbre teria ocorrido em uma reunião com outros senadores.
“Sou seu irmão. Pra vida toda”, escreveu Alcolumbre, conforme a transcrição publicada pela revista. Vorcaro respondeu: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. Em outra mensagem reproduzida na reportagem, o senador chama o interlocutor de “meu amor” e agradece pelo “carinho e amizade fraterna”.
A publicação descreve uma relação que não se limitava às manifestações de afeto. Segundo a Veja, Alcolumbre procurava Vorcaro até para tentar descobrir a fonte de um jornalista, enquanto o banqueiro recorria ao parlamentar para obter acesso a interlocutores políticos.
Relação com Vorcaro e resistência à CPI
A revelação das conversas coloca em evidência a atuação de Alcolumbre diante dos pedidos de investigação parlamentar sobre o Master. A revista afirma que, em maio, o presidente do Senado utilizou mecanismos regimentais para impedir a criação de uma CPI destinada a apurar as conexões políticas do caso. “Esse assunto não pode ser o prioritário neste momento”, justificou o senador, segundo a publicação.
A reportagem também relata que Alcolumbre não respondeu a um ofício sobre eventuais entradas de Vorcaro no Senado e se recusou a fornecer à Polícia Federal a relação de visitantes do gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA).
Outro ponto mencionado envolve a Amapá Previdência, a Amprev. Segundo a revista, as investigações identificaram uma operação irregular envolvendo o banqueiro e o fundo previdenciário dos servidores do estado. A publicação destaca que o irmão de Alcolumbre integrava o conselho da instituição e que um ex-tesoureiro da campanha do senador ocupava sua presidência. Esses vínculos são apresentados pela reportagem, mas não constituem, por si sós, comprovação de participação do parlamentar na operação.
No campo judicial, a Veja informa que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou, na quarta-feira, 23 de setembro, um recurso pela instalação da CPI, por entender que não havia sido comprovada omissão do presidente do Senado. Paralelamente, segundo o texto, o ministro Luiz Fux abriu prazo para Alcolumbre se manifestar sobre um pedido do partido Novo para tornar públicos registros de entrada e saída de pessoas no Senado, incluindo Vorcaro.
Venda do Master e interlocução política
As conversas relatadas pela revista também alcançam as tratativas sobre a venda do Master ao Banco de Brasília, o BRB. Em julho de 2025, Vorcaro teria procurado o presidente da Câmara, Hugo Motta, depois de tentar falar com Alcolumbre para obter informações sobre uma reunião do Banco Central relacionada ao processo.
Na resposta reproduzida pela publicação, Motta afirmou: “Galípolo ficou de ir lá para casa de Davi quando encerrasse a reunião. Eu tava decolando quando Davi me ligou para dizer isso”. O diálogo registra o relato de Motta sobre um encontro previsto com Gabriel Galípolo, não uma confirmação de que ele efetivamente ocorreu.
Encontros privados e a versão de Fábio Faria
Outra parte da reportagem trata de conversas entre Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria sobre festas e encontros privados. A revista atribui a Faria a intermediação de reuniões do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes e relata discussões sobre a contratação de mulheres e medidas para evitar a divulgação das confraternizações.
Em um desses diálogos, Faria teria escrito: “E fazemos um pacto com Davi q só pode falar pro careca”. Segundo a Veja, o apelido era utilizado em outras conversas para se referir a Moraes. A menção nos diálogos, isoladamente, não comprova a participação das autoridades citadas nos encontros privados discutidos.
Faria contestou a interpretação da reportagem
Em nota acrescentada ao texto em 24 de setembro, afirmou que a conversa tratava da reserva de quatro suítes para uma viagem a Londres com outros quatro empresários, interessados em uma possível participação minoritária no clube de futebol Queens Park Rangers. Segundo ele, a negociação não prosperou e não tinha relação com Alcolumbre, que não teria sido cogitado para a viagem. Faria acrescentou que seu único encontro com o senador fora do Brasil ocorreu em um evento empresarial em Paris, em outubro de 2023.
Alegação de pagamentos foi negada pelo senador
A Veja também retoma uma reportagem anterior sobre uma proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa de Vorcaro à Polícia Federal. Segundo a revista, o banqueiro se oferecia para detalhar supostos pagamentos de US$ 30 milhões a Alcolumbre em uma conta no exterior. O acordo não foi aceito, e a alegação não deve ser confundida com um repasse comprovado. O senador classificou as informações como falsas e, conforme o relato da publicação, negou conhecer Vorcaro durante uma reunião com colegas.
Com informações da Veja.



