STF destrava socorro bilionário ao BRB
Acordo entre União e Governo do DF abre caminho para operação de até R$ 6,5 bilhões em meio à crise envolvendo o banco público e investigações sobre negócios com o Banco Master
BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — O Governo do Distrito Federal e a União fecharam um acordo no Supremo Tribunal Federal para viabilizar uma operação bilionária destinada ao Banco de Brasília (BRB), instituição que enfrenta uma das maiores crises de sua história após investigações relacionadas a operações financeiras com o Banco Master.
O entendimento foi firmado após reuniões realizadas no STF ao longo desta semana e deve permitir a abertura de uma linha de crédito de até R$ 6,5 bilhões para reforçar o caixa do banco público.
Segundo os termos negociados, o financiamento será realizado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sem utilização direta de recursos federais e sem garantia financeira da União. A operação contará com garantia de um consórcio de bancos privados e terá como contrapartida recursos vinculados aos fundos de participação do Distrito Federal.
A negociação ocorreu depois que o Distrito Federal recebeu nota “C” na avaliação de capacidade de pagamento feita pelo Tesouro Nacional. A classificação impede que a União atue como avalista em novas operações de crédito, o que travou a tentativa inicial de socorro ao BRB.
O governo distrital argumentou no Supremo que a nota atribuída pelo Tesouro não refletia corretamente a situação fiscal local e que pequenas diferenças técnicas acabaram inviabilizando a operação de capitalização do banco.
O BRB passou a enfrentar forte pressão após investigações envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master e à Operação Compliance Zero. A crise elevou preocupações sobre a estabilidade da instituição e provocou movimentações políticas e jurídicas para evitar um agravamento da situação.
Nos bastidores, autoridades do Distrito Federal sustentam que o banco possui papel estratégico para a administração pública local. O BRB administra programas sociais, processa pagamentos de servidores públicos e movimenta bilhões de reais em benefícios e operações de crédito no DF.
O acordo costurado no STF também prevê flexibilização de algumas exigências fiscais normalmente aplicadas a operações de crédito desse porte. A medida foi considerada essencial para permitir que a capitalização ocorra dentro dos limites legais estabelecidos para o sistema financeiro.
A operação deve servir para reforçar o patrimônio do BRB e tentar conter os impactos da crise que atingiu a instituição nos últimos meses. O temor das autoridades é que um agravamento da situação financeira do banco provoque efeitos em cadeia sobre programas públicos, folha de pagamento de servidores e operações bancárias ligadas ao governo distrital.
A crise envolvendo o BRB ampliou o debate sobre exposição de bancos públicos a operações consideradas de risco e aumentou a pressão sobre mecanismos de fiscalização do sistema financeiro. O caso também colocou o Supremo Tribunal Federal no centro das negociações para evitar um colapso político e financeiro envolvendo uma das principais instituições públicas do Distrito Federal.



