WASHINGTON, 16 de setembro de 2026 — A diplomacia de afagos e retórica branda de Brasília com o crime organizado sofreu um golpe direto de Washington. Em Determinação Presidencial enviada ao Congresso norte-americano nesta terça-feira (15) e tornada pública hoje pelo Departamento de Estado, o presidente Donald Trump colocou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva no centro das críticas sobre o tráfico internacional, afirmando com todas as letras que o Brasil “falhou em confrontar” as duas principais facções criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
O documento, que lista os principais países de trânsito e produção de entorpecentes para o ano fiscal de 2027, não poupa o Palácio do Planalto ao traçar um contraste incômodo entre Brasília e as demais capitais do continente:
“Enquanto muitos governos no Hemisfério Ocidental estão tomando ações corajosas para reduzir os fluxos de drogas e erradicar cartéis, o Governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína.”
A declaração oficial conclui com uma exigência inequívoca:
“Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo do Brasil precisa urgentemente tomar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam.”
O peso da designação como grupos terroristas
O relatório ganha peso ainda maior pelo histórico recente construído pela diplomacia norte-americana. Em maio, sob a liderança do secretário de Estado Marco Rubio, os Estados Unidos enquadraram formalmente o PCC e o Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e, na sequência, como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
Essa classificação mudou definitivamente o tabuleiro geopolítico. Na prática, o enquadramento:
1. Equipara facções brasileiras a cartéis paramilitares transnacionais e redes armadas de alcance global, sujeitando seus integrantes, apoiadores e canais financeiros a sanções patrimoniais severas, congelamento de ativos e mandados de captura extraterritoriais.
2. Constrange a doutrina de segurança do PT, que historicamente resiste a aplicar leis antiterroristas a movimentos criminosos domésticos, tratando facções transnacionais sob o eufemismo de “problemas sociais e carcerários”.
3. Pressiona a estrutura financeira e logística que opera em portos estratégicos (como Santos e Paranaguá) e nos corredores de fronteira com Bolívia, Paraguai e Colômbia.
O Brasil transformado em ‘Hub’ global da cocaína
A análise de inteligência dos Estados Unidos consolida uma realidade há muito denunciada por analistas independentes: sob a inércia federal, o território brasileiro deixou de ser apenas rota secundária para se consolidar como o grande entreposto logístico da droga rumo à Europa, África e Oriente Médio.
Com a complacência e o desarmamento moral das forças de segurança promovidos pela gestão lulista — marcada por restrições operacionais à polícia, afrouxamento na vigilância de fronteiras e leniência com regimes vizinhos alinhados a narcoguerrilhas —, as facções avançaram sobre a infraestrutura logística e financeira do país sem encontrar resistência estatal à altura.
A conta política bate à porta de Brasília
A repreensão aberta da Casa Branca cai como uma bomba sobre o Planalto a poucas semanas das eleições de outubro. Enquanto a oposição denuncia há anos a infiltração do crime institucionalizado e o colapso da segurança pública, o endosso explícito da maior potência militar do mundo retira qualquer possibilidade de o governo Lula varrer o tema para debaixo do tapete.
Ao classificar o recuo do Estado brasileiro como uma falha direta na contenção do terrorismo e do narcotráfico, Washington expõe internacionalmente a fragilidade de um governo que preferiu a complacência ideológica ao dever constitucional de proteger a ordem pública e a soberania nacional. A mensagem que ecoa de Washington é clara: o tempo da omissão acabou.



