Trump está ciente de refinarias brasileiras abastecendo o PCC
Documentos da ANP e investigação internacional colocam pressão sobre o setor de combustíveis. Lula está no radar dos EUA por não combater organizações criminosas terroristas
WASHINGTON, 13 de junho de 2026 — Uma investigação publicada pela agência internacional Reuters revelou que refinarias brasileiras venderam mais de 100 milhões de litros de nafta petroquímica para a empresa Petrodansk, alvo de investigações por envolvimento em um esquema de fraudes tributárias e lavagem de dinheiro para o grupo terrorista Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os documentos analisados pela reportagem americana incluem registros da Agência Nacional do Petróleo (ANP), dados comerciais e informações obtidas junto ao Ministério Público de São Paulo.
Entre os fornecedores identificados está a Refinaria Riograndense, controlada conjuntamente pela Petrobras, Braskem e Ultrapar.
Segundo a Reuters, promotores paulistas investigam se a Petrodansk teria sido utilizada em um esquema envolvendo combustíveis e derivados de petróleo para gerar vantagens fiscais ilícitas e movimentar recursos ligados ao crime organizado.
Os documentos apontam que parte significativa da nafta comercializada chegou ao mercado sem o marcador químico exigido pela regulamentação da ANP — mecanismo criado justamente para dificultar fraudes e permitir rastreamento do produto.
A ausência desse marcador levantou questionamentos sobre falhas de controle em uma cadeia considerada estratégica para a segurança econômica do país.
Em resposta à Reuters, a Refinaria Riograndense afirmou que a ausência do marcador químico decorreu de uma falha operacional e não de uma ação deliberada.
A empresa declarou ainda que corrigiu o problema e informou que interrompeu negócios com a Petrodansk em outubro de 2024 após identificar riscos de conformidade e governança.
Até o momento, as refinarias mencionadas não são alvos formais da investigação criminal.
A revelação ocorre em um momento de crescente atenção internacional sobre as atividades do PCC.
Recentemente, o governo dos Estados Unidos classificou a facção como organização terrorista estrangeira, medida que amplia os instrumentos legais disponíveis para investigações financeiras e sanções internacionais.
Essa nova condição faz com que qualquer informação relacionada a fluxos financeiros, fornecedores, empresas intermediárias e cadeias de abastecimento associadas a organizações investigadas passe a receber escrutínio muito maior por parte de autoridades americanas.
O caso surge em um momento delicado para o governo Lula, que vem sendo criticado por falta de firmeza no enfrentamento ao crime organizado terrorista.
Embora a investigação não aponte participação do governo federal no esquema investigado, a repercussão política é inevitável. O episódio expõe vulnerabilidades na fiscalização do setor de combustíveis e alimenta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos estatais destinados a impedir que grupos criminosos se beneficiem de lacunas regulatórias.
Organizações como o PCC deixaram há muito tempo de atuar apenas no tráfico de drogas, expandindo suas operações para setores econômicos complexos, incluindo logística, transporte, combustíveis e lavagem de dinheiro.
A investigação continua em andamento e poderá determinar se as irregularidades identificadas representam apenas falhas de fiscalização ou se houve participação consciente de agentes econômicos na estrutura que teria beneficiado uma das maiores organizações criminosas terrorista da América Latina.



